Reportagem de Zero Hora aponta gargalos históricos da infraestrutura gaúcha e destaca recuperação de rodovias, fortalecimento de ferrovias, hidrovias e aeroportos e integração logística como caminhos para o Estado.

E É SÓ NOTÍCIA BOA!
A infraestrutura e a logística do Rio Grande do Sul estão entre os principais desafios para o desenvolvimento e a competitividade do Estado. Reportagem publicada por Zero Hora nesta quinta-feira, 17 de setembro, apresenta um diagnóstico sobre as condições das rodovias, ferrovias, hidrovias e aeroportos gaúchos e reúne especialistas para apontar caminhos voltados à construção de uma infraestrutura mais eficiente, integrada e resiliente.
Segundo a reportagem, o Rio Grande do Sul convive há décadas com gargalos de infraestrutura que elevam os custos de transporte, dificultam o escoamento da produção e comprometem a competitividade do setor produtivo. O cenário foi agravado pelas enchentes de 2024, que provocaram danos em estradas, pontes, ferrovias, hidrovias e também afetaram a operação do Aeroporto Internacional Salgado Filho. O Banco Mundial estimou em R$ 4,1 bilhões as perdas relacionadas à infraestrutura de transportes causadas pelo evento climático.
Um dos principais pontos apresentados é a forte dependência do transporte rodoviário. Conforme a matéria, cerca de 90% do transporte da produção gaúcha ocorre pelas rodovias, enquanto aproximadamente 73% das estradas estaduais e federais avaliadas pela Pesquisa CNT de Rodovias de 2025 foram classificadas como regulares, ruins ou péssimas. Entre os 8,8 mil quilômetros avaliados, apenas 1,8% foram considerados ótimos e 25,2% bons.
Entre os especialistas ouvidos está Paulo Menzel, presidente da Câmara Brasileira de Logística e Infraestrutura (CâmaraLog) e CEO do Grupo Intelog. Ele destaca que o avanço logístico do Estado depende não apenas da melhoria das rodovias, mas também do maior aproveitamento das ferrovias, hidrovias e aeroportos. Segundo Menzel, a falta de desenvolvimento dos demais modais faz com que o transporte rodoviário assuma uma demanda excessiva, contribuindo para custos maiores e para a sobrecarga das estradas.
A reportagem também aponta a baixa quantidade de trechos duplicados. Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), entre 2016 e 2026 foram realizadas duplicações em trechos das BRs 116, 290 e 386. As obras de ampliação da capacidade dessas rodovias, entretanto, ainda não estão totalmente concluídas. Após as enchentes, o Dnit também empenhou R$ 1,1 bilhão para intervenções emergenciais e reconstrução de vias.
Na malha estadual, a Secretaria Estadual de Logística e Transportes informa que, desde 2015, foram acrescentados 38 quilômetros de rodovias duplicadas, distribuídos entre as RS-287, RS-118 e RS-734. Além disso, aproximadamente R$ 3,1 bilhões do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) foram destinados à recuperação viária após a enchente, com intervenções em 32 lotes de rodovias e 14 pontes.
Ferrovias perderam extensão e volume transportado
Outro desafio apresentado pela reportagem é a situação da malha ferroviária. Desde a privatização, em 1997, a extensão ferroviária utilizada no Rio Grande do Sul caiu 75%, passando de 3,8 mil quilômetros para 921 quilômetros. Antes das enchentes de 2024, eram aproximadamente 1,6 mil quilômetros em utilização. O volume de cargas transportadas pelas ferrovias também caiu pela metade entre 2007 e 2025, de cerca de 4 milhões para 2 milhões de toneladas anuais.
Atualmente, segundo a reportagem, o único trajeto ferroviário em operação no Estado parte de Cruz Alta e segue por 464 quilômetros até o Porto de Rio Grande. A matéria também aborda as discussões sobre a futura concessão da Malha Sul e registra que o governo federal, por meio da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), propõe uma divisão da concessão em três corredores, enquanto representantes dos setores gaúcho e catarinense defendem novos estudos sobre o modelo.
Hidrovias têm potencial para ampliar participação
As hidrovias aparecem como outro modal atualmente subutilizado. Conforme a Associação Hidrovias do Rio Grande do Sul, o Estado já chegou a possuir aproximadamente 1,2 mil quilômetros navegáveis, extensão que caiu ao longo das últimas décadas, principalmente por falta de dragagem e manutenção. Em 2023, eram aproximadamente 700 quilômetros navegáveis, número novamente reduzido após as enchentes.
Para recuperação do sistema hidroviário, foram destinados R$ 731 milhões do Funrigs para serviços de dragagem e outras obras estruturais. O governo estadual contratou serviços para 22 canais hidroviários, distribuídos em sete lotes, especialmente nos acessos ao Porto de Rio Grande e nos canais da Lagoa dos Patos e do Guaíba.
Aeroportos regionais também entram no planejamento
O transporte aéreo regional é apontado como parte importante da integração logística. A reportagem informa que o Rio Grande do Sul possui atualmente seis aeroportos regionais em operação regular, embora tenha chegado a contar com 15 aeroportos com voos regulares em 2021.
Entre 2016 e 2025, o movimento de passageiros nos aeroportos regionais passou de 435.971 para 713.215 passageiros. No mesmo período, a movimentação de cargas passou de aproximadamente 700 toneladas para 1,45 mil toneladas.
A reportagem também cita o novo aeroporto da Serra, em Caxias do Sul. Ricardo Portella, coordenador do Conselho de Infraestrutura e vice-presidente do Sistema Fiergs, afirma que ampliar a quantidade de terminais é estratégico para diminuir a dependência de um único aeroporto de maior porte e fortalecer o transporte de passageiros e cargas. Portella também menciona o Porto Meridional, em Arroio do Sal, entre os projetos considerados importantes para ampliar as alternativas logísticas do Estado.
Integração e planejamento de longo prazo
Entre as principais soluções apontadas pelos especialistas estão a continuidade dos investimentos em infraestrutura, independentemente das mudanças de gestão pública, a recuperação das estruturas afetadas pelas enchentes, a diversificação da matriz de transportes e a integração entre os governos federal, estadual e municipais.
Paulo Menzel destaca na reportagem que o planejamento de infraestrutura exige continuidade e visão de longo prazo, fortalecendo diferentes modais e reduzindo a excessiva dependência das rodovias. Especialistas ouvidos pela Zero Hora também defendem o desenvolvimento de hubs logísticos, capazes de concentrar e conectar rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos para tornar o transporte de cargas mais eficiente e competitivo.
A reportagem integra uma série do Grupo RBS sobre os principais desafios do Rio Grande do Sul, abordando oito áreas: Ambiente, Educação, Contas Públicas, Infraestrutura, Agronegócio, Saúde, Segurança e Desenvolvimento Econômico. Segundo a publicação, as pautas foram definidas a partir de contribuições de diferentes setores da sociedade reunidas pelo Conselho Editorial da RBS ao longo de 2026.
SAIBA MAIS
Galeria de Fotos
.jpg)
