Combustível, manutenção, disponibilidade da frota e planejamento de rotas entram na conta de um setor pressionado por preço e com fiscalização mais rigorosa

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) iniciou nesta quarta-feira (16) os procedimentos para suspensão cautelar de empresas que descumprem reiteradamente o piso mínimo do frete. A medida ganhou repercussão no setor, mas deixa uma questão que vai além da fiscalização: se parte do preço do transporte tem um limite mínimo estabelecido, onde uma transportadora ainda consegue buscar eficiência para continuar competitiva?

Pelas regras atuais, a suspensão cautelar pode variar de cinco a 30 dias para empresas que acumularem mais de quatro autuações, em datas distintas, no período de seis meses, desde que atendidos os demais critérios previstos pela regulamentação. Os atos de suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) serão publicados no Diário Oficial da União e produzirão efeitos 72 horas após a publicação.

“A transportadora trabalha com regras, custos e margem muito apertada. Nosso papel não é discutir se uma exigência deve ou não existir, mas conhecê-la, cumprir o que está estabelecido e encontrar eficiência para continuar competitivo. A gestão precisa fazer essa conta funcionar”, afirma Leonardo Busin, CEO da Buzin Transportes.

A eficiência está dentro da operação

O piso mínimo considera custos operacionais fixos e variáveis do transporte, mas não contempla itens como lucro, impostos, despesas administrativas e determinadas taxas, que continuam sujeitos à negociação entre as partes.

Na prática, isso desloca parte da disputa por competitividade para dentro da operação. Combustível, manutenção, pneus, financiamento, disponibilidade dos veículos, planejamento de rotas e produtividade estão entre as variáveis capazes de interferir no custo final.

Na Buzin, por exemplo, o diesel representa aproximadamente um terço dos gastos da operação. A empresa também mantém idade média da frota inferior a dois anos, estratégia adotada para diminuir quebras e outras intercorrências capazes de comprometer as entregas. A renovação frequente da frota faz parte da estratégia operacional da transportadora.

“Preço sempre vai ser uma variável importante e existe pressão constante por redução de custos. O trabalho da gestão é descobrir onde existe eficiência para ganhar. Dá para melhorar consumo de combustível, disponibilidade do caminhão, manutenção e planejamento de rota. Ao mesmo tempo, existem obrigações que simplesmente precisam entrar na conta”, explica Busin.

A fiscalização também ganhou mais rastreabilidade neste ano. Desde 24 de maio, o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) passou a ser obrigatório para todas as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas, independentemente da categoria do transportador contratado. Nas operações de carga lotação sujeitas ao piso mínimo, o sistema valida o valor informado e impede a geração do código quando o frete está abaixo do mínimo aplicável. O CIOT também deve ser vinculado ao MDF-e quando o documento fiscal for exigido.

Para Busin, a combinação entre margens apertadas e maior controle torna cada vez mais importante conhecer o custo real de cada operação.

“Não adianta fechar um contrato olhando apenas quanto entra por quilômetro. É preciso saber quanto custa colocar aquele caminhão na estrada, manter a operação regular e entregar a carga no prazo. No fim, independentemente do cenário ou da regra vigente, essa conta precisa funcionar”, conclui.

Sobre a Buzin Transportes

Fundada em 1967, em Porto Alegre (RS), a Buzin Transportes possui cerca de mil colaboradores e 22 filiais que funcionam como pontos de apoio em diferentes regiões do país. A empresa atua no transporte de cargas para segmentos como agro, alimentos e bebidas, siderurgia, petroquímico, saúde e bem-estar, construção civil, papel e celulose e e-commerce.

Pressão por preços e novas medidas de fiscalização colocam gestão de custos no centro das operações de transporte rodoviário de cargas.
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