Alta de 1,1% entre abril e junho ocorre em um cenário de diesel mais caro, consumo mais fraco e crédito ainda restrito

Por Agência CNT Transporte Atual
18/09/202612h14

O setor de transporte interrompeu uma sequência de dois trimestres de queda e cresceu 1,1% entre abril e junho de 2026. Mesmo em um ambiente de custos elevados, crédito caro e menor ritmo da demanda, o resultado interrompe a trajetória recente de retração da atividade. 

O cenário é analisado no Boletim de Conjuntura Econômica de setembro, elaborado pela equipe técnica da CNT. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB de Transporte, Armazenagem e Correio cresceu 1,2% no segundo trimestre e 0,9% no acumulado do primeiro semestre.

A economia brasileira também cresceu, mas a composição do resultado mostra sinais de moderação da demanda doméstica, fator que influencia diretamente a procura por serviços de transporte e logística. O consumo das famílias caiu 0,4% frente ao primeiro trimestre, enquanto a taxa de investimento ficou em 16,1% do PIB, abaixo dos 16,6% registrados no mesmo trimestre do ano passado.

Para as empresas de transporte, esse cenário merece atenção. A desaceleração do consumo e um ambiente ainda restritivo aos investimentos podem limitar a demanda por serviços, justamente em um momento em que os custos da operação continuam elevados.

Selic menor, crédito ainda caro

O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a Selic pela quinta vez consecutiva, para 13,75% ao ano (a.a.). Descontada a inflação, a taxa real de juros permanece em 8,45% a.a. 

Para o empresário, isso significa que renovar a frota ou ampliar a operação continua oneroso. A melhora da atividade, portanto, convive com uma das principais barreiras para novos investimentos no setor.

Serviços ainda recuam no ano

Outro indicador analisado pela CNT ajuda a compreender o momento do setor. O volume dos serviços de transporte cresceu 0,4% em julho, na comparação com junho, já descontado os efeitos sazonais, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE. No acumulado entre janeiro e julho, porém, o volume ficou 1,4% abaixo do registrado no mesmo período de 2025. 

O desempenho também varia entre as modalidades. O transporte terrestre foi o único a crescer no acumulado até julho, com alta de 1,2%. O aéreo registrou a maior retração, de 13,3%. Já o transporte aquaviário, embora registre recuo no acumulado, alcançou, no mês julho, o maior nível de sua série histórica (47,0% acima do patamar pré-pandemia). 

Custos continuam pressionando a operação

O diesel permanece entre os principais componentes de custo das empresas. Mesmo com queda de 0,80% em agosto, o combustível acumula aumento de 13,35% em 2026. Em 12 meses, a alta chegou a 12,88%, mais de três vezes a inflação geral registrada no período.

O encarecimento não se limita ao combustível. O óleo lubrificante subiu 12,06% no ano, e o pedágio, 4,25%. São despesas diretamente ligadas à operação e, no caso dos lubrificantes, à manutenção dos veículos, com impacto sobre os custos do transporte.

“O crescimento no trimestre é uma boa notícia, mas ainda não significa uma virada de cenário. O empresário continua lidando com uma demanda mais fraca, diesel e lubrificantes mais caros e condições de crédito desfavoráveis. Quando a operação custa mais e o financiamento permanece caro, sobra menos espaço para renovar a frota, ampliar a capacidade de investir. Por isso, precisamos observar se essa melhora terá continuidade nos próximos meses”, analisa a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende.

A íntegra do Boletim de Conjuntura Econômica de setembro, com dados, gráficos e análises da equipe técnica da CNT, está disponível no site da Confederação.

https://www.cnt.org.br/agencia-cnt/transporte-volta-a-crescer-apos-dois-trimestres-de-queda

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