Ferramenta reúne indicadores socioambientais e climáticos específicos para o setor e pode apoiar instituições financeiras, empresas que avaliam parceiros comerciais e processos de autoavaliação

A Associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS) acaba de lançar o Questionário de Avaliação de Desempenho Climático e Socioambiental e de Cumprimento da Legislação Socioambiental voltado ao setor de Transportes Terrestres. A ferramenta foi apresentada na última quinta-feira (17/09) durante evento online que reuniu especialistas para discutir os desafios e as oportunidades de realizar avaliação ASG — ambiental, social e de governança de empresas do setor.

A ferramenta pode ser utilizada por instituições financeiras como subsídio a decisões na concessão de crédito, investimentos e seguros, por empresas na avaliação de parceiros comerciais e também pelas próprias organizações interessadas em realizar uma autoavaliação.
O questionário permite avaliar aspectos como a eficiência no uso de recursos, emissões de gases poluentes e de efeito estufa, adaptação às mudanças climáticas, impactos sobre a biodiversidade, saúde e segurança de trabalhadores e comunidades e outras dimensões relacionadas ao desempenho socioambiental e climático das empresas.

“No caso do setor financeiro, a aplicação do questionário pode ajudar na decisão de conceder ou não crédito, realizar ou não investimentos, mas, sobretudo, definir as condições do fluxo de capitais. A avaliação pode influenciar nos prazos das operações, nas taxas de juros, no prazo de carência, na exigência de garantias, nos limites de crédito ou no valor do investimento que vai ser realizado”, explica a Diretora Executiva e Técnica da SIS, Luciane Moessa.

O questionários são elaborados a partir de metodologia que reúne referências nacionais e globais no campo da sustentabilidade – como TNFD, GRI, SBTi, CBI, IFRS S1 e S2, IFC, ODS –, além de critérios das taxonomias sustentáveis que incluíram os setores avaliados, além de temas e indicadores complementares propostos pela equipe técnica da SIS. A ferramenta distingue indicadores segundo a relevância da localização da atividade.

Segundo Luciane Moessa, a ferramenta não deve ser utilizada apenas como instrumento de classificação ou exclusão de empresas. “A ideia é que as empresas mais sustentáveis sejam reconhecidas. Mas também que as empresas com desempenho a desejar tenham um incentivo financeiro para melhorar. Nosso propósito maior é contribuir para um diagnóstico mais preciso e assim propiciar avanços nessa agenda.”

Além do setor de Transportes Terrestres, a SIS também lançou o questionário  do setor de Pesca e Aquicultura. Ambos questionários fazem parte da série que contempla diferentes setores da economia, como destinação de resíduos, bioenergia, construção civil, saneamento, agricultura, pecuária, florestas, mineração e indústria. O setor de energia será o próximo e último a integrar a série.

Transportes Terrestres
No setor de Transportes Terrestres, o questionário abrange os segmentos de transporte ferroviário de cargas, transporte rodoviário de cargas e transporte coletivo de passageiros (também dentro e entre cidades). Os modais incluídos, portanto, são caminhões, trens de carga, ônibus, metrô, trens metropolitanos e VLTs.

Entre os temas abordados no questionário estão emissões atmosféricas, saúde e segurança das comunidades, gestão de resíduos e efluentes, recursos hídricos, biodiversidade, adaptação às mudanças climáticas, matriz energética, eficiência no uso de combustíveis e da frota e emissões de gases de efeito estufa.

No transporte coletivo, são incorporados ainda indicadores relacionados à segurança dos passageiros, acidentes envolvendo usuários, prevenção de crimes sexuais, atendimento a populações de baixa renda e integração entre diferentes modais de transporte.

O setor está entre alguns dos principais desafios para a transição brasileira para uma economia de baixo carbono. Em 2024, o setor de transportes emitiu cerca de 221 milhões de toneladas de CO₂e, sendo 118,7 milhões no transporte de cargas e 102,7 milhões no de passageiros (individual e coletivo), de acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

Durante o lançamento, Sofia Zanella Carra, Diretora de Transição Climática do Climate Finance Hub (CFH), apresentou resultados preliminares de um estudo da entidade sobre a maturidade da transição climática em diferentes modais de transporte. No primeiro ciclo da análise, foram avaliadas três empresas do transporte rodoviário e três do transporte ferroviário. Em uma escala de 0 a 20, a média foi de apenas 1,4 ponto entre as empresas rodoviárias e de 3,8 entre as ferroviárias.

Entre os principais desafios identificados pelo estudo, segundo a especialista, estão a ausência de metas estruturadas de descarbonização, de planos de transição e de estratégias de investimento voltadas à agenda climática, além de lacunas na governança e na transparência das informações. A especialista ressaltou que a amostra é limitada e que os resultados não representam necessariamente todo o setor.

Para Sofia, os indicadores desenvolvidos pela SIS podem contribuir para ampliar e qualificar a análise socioambiental das empresas, ao incorporar dimensões que vão além da transição climática. “Os indicadores da SIS olham para um universo mais abrangente, enquanto a análise do Climate Finance Hub hoje prioriza a transição climática. São visões diferentes que se comunicam e se complementam”, afirma.

Todos os questionários estão disponíveis gratuitamente no site da SIS. Confira abaixo os dois lançamentos mais recentes:


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