Carlos Eduardo Bretos

Carlos Eduardo Bretos

Presidente do conselho da empresa Instituto CEO do Futuro

Aos 50 anos, assumi um cargo internacional e minha esposa e eu nos mudamos para os Estados Unidos, deixando nossas filhas no Brasil. Aos 55 caminhei os quase 900km do Caminho de Santiago na Espanha. Aos 60, voltei à universidade para cursar uma graduação em Ciência da Felicidade. Aos 63, tomei a decisão de aprender a tocar violão…

Essas escolhas poderiam parecer apenas mudanças profissionais, acadêmicas ou pessoais. Para mim, sempre representaram algo maior: a decisão de continuar começando.

Ao tomarmos essas decisões, algumas das quais pareciam até inverter a ordem natural das coisas, como quando nós, os pais, partimos enquanto nossas filhas permaneceram no Brasil, sempre ouvimos alguma variação da mesma frase:

“Nessa idade, já era hora de frear, não de acelerar.”

E sempre respondi que para mim, acelerar nesse contexto nunca significou correr mais. Significou continuar curioso, aberto e disposto a construir novos caminhos. Não aceitar que exista uma idade determinada para aprender, ensinar, mudar, descobrir ou recomeçar.

Quando somos jovens, o futuro costuma ser um lugar cheio de possibilidades. Imaginamos quem seremos, o que construiremos, onde viveremos e quem estará ao nosso lado. Com o passar do tempo, porém, essa relação começa a mudar. Em vez de desejar o futuro, passamos a nos proteger dele.

Começamos a falar mais sobre perdas do que sobre possibilidades. Mais sobre limitações do que sobre escolhas. Mais sobre quanto tempo ainda teremos do que sobre quanta vida haverá nesse tempo.

Mas estamos vivendo mais.

E essa conquista traz uma pergunta para a qual ainda não construímos respostas suficientes:

Estamos nos preparando apenas para chegar ao futuro ou também para desejar estar nele?

O roteiro que conhecíamos está mudando

Durante muito tempo, a vida foi organizada em três grandes etapas: aprender, trabalhar e se aposentar.

Esse roteiro já não descreve a realidade de muitas pessoas.

Viver mais significa atravessar mais transições. Podemos mudar de profissão, reconstruir relações, assumir novos papéis familiares, voltar a estudar, empreender, ensinar, cuidar e aprender novamente.

Também significa enfrentar momentos em que algumas das estruturas que sustentavam nossa identidade deixam de existir.

Quem sou quando o cargo já não me apresenta?

Onde encontro pertencimento quando a rotina profissional desaparece?

Como continuo contribuindo quando o mercado insiste em associar experiência à obsolescência?

Que relações permanecerão quando minha agenda deixar de organizar meus encontros?

Essas não são perguntas apenas sobre envelhecimento. São perguntas sobre identidade, vínculos, escolhas e sentido.

São perguntas sobre a vida.

Planejamos recursos, mas pouco planejamos quem desejamos ser

Aprendemos que uma vida longa exige preparação financeira. E exige mesmo.

Precisamos pensar em saúde, moradia, autonomia e segurança. Mas uma vida não se sustenta apenas com recursos financeiros.

Também acumulamos, ou deixamos de acumular, outros patrimônios.

O patrimônio dos vínculos.

O patrimônio do conhecimento.

O patrimônio da confiança.

O patrimônio do pertencimento.

O patrimônio da capacidade de continuar aprendendo, escolhendo e contribuindo.

Nenhuma planilha financeira consegue responder quem estará ao nosso lado, o que ainda despertará nossa curiosidade ou onde encontraremos uma razão para levantar pela manhã.

Planejar uma vida longa, portanto, não deveria significar apenas financiar o futuro. Deveria significar construir as condições para habitá-lo com autonomia, relações, significado e vontade.

O futuro não começa depois

Existe também um risco nessa conversa.

Podemos ficar tão preocupados em preparar o amanhã que deixamos de viver o presente. Adiamos encontros, sonhos e experiências em nome de uma segurança que nunca será completa.

O agora precisa ser vivido. Mas o futuro também precisa ser cuidado.

Não se trata de escolher entre um e outro. Trata-se de compreender que as decisões de hoje constroem o lugar no qual viveremos amanhã.

Por isso, a pergunta que mais me interessa não é apenas quanto tempo viveremos.

É outra:

Que vida ainda queremos viver?

Uma investigação que não quero fazer sozinho

Essas inquietações deram origem ao projeto A vida que ainda temos pela frente.

Não o criei para oferecer respostas prontas ou ensinar alguém a envelhecer. Estou conduzindo uma investigação coletiva porque acredito que precisamos pensar juntos sobre assuntos que raramente encontram espaço em nossas conversas cotidianas.

Como estamos imaginando nosso futuro?

O que desejamos preservar?

O que ainda queremos aprender, construir e transformar?

Quais são os nossos maiores receios?

O que nos dá segurança, pertencimento e sentido?

As primeiras 50 pessoas já compartilharam suas percepções. Suas respostas começam a revelar não apenas preocupações, mas também desejos, contradições e conversas que ainda precisamos ter.

Agora precisamos ampliar essa escuta.

Queremos ouvir pessoas com outras histórias, diferentes experiências e em distintos momentos da vida. Quanto mais diversas forem as vozes, mais rica será nossa compreensão sobre os caminhos possíveis.

Um convite para fazer uma pausa

A pesquisa é anônima e leva cerca de dez minutos.

Não existem respostas certas. Ela foi criada como um convite para você fazer uma pausa e olhar para a própria vida, não apenas para aquela que já viveu, mas principalmente para aquela que ainda deseja viver.

Os resultados serão analisados de forma agregada e compartilharemos uma síntese do que aprendermos, incluindo as conversas importantes que percebemos que ainda precisamos ter, com quem e sobre o quê.

Participe da pesquisa A vida que ainda temos pela frente:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSf4UVmMMv0Nq91rKjJnOuaJYmJRmQFjxirKKvQqX7Y-CBGq2g/viewform?usp=pp_url&entry.2083359693=20260925

E, se esta reflexão fizer sentido para você, compartilhe o artigo com alguém que também precisa participar dessa conversa.

Viver mais é uma conquista.

Transformar os anos conquistados em mais vida é uma responsabilidade que começa agora.

Porque o futuro não deveria ser apenas um lugar ao qual conseguiremos chegar.

O futuro precisa ser um lugar onde a gente ainda queira estar.

https://www.linkedin.com/pulse/o-futuro-precisa-ser-um-lugar-onde-gente-queira-estar-bretos-q00ye

Deixe um comentário

×