
Por Eng. Sebastião Carlos Martins — DBEST PLAN – Engenharia e Tecnologia da Informação
A discussão sobre o futuro do Combustível Sustentável de Aviação — SAF — vem ganhando espaço no Brasil e no mundo. Grande parte das atenções está concentrada em rotas baseadas em óleos e gorduras, etanol, biogás, biometano e combustíveis sintéticos. Todas são relevantes. Entretanto, o próprio princípio de neutralidade tecnológica adotado pelo ProBioQAV brasileiro reforça que não existe uma única matéria-prima ou tecnologia destinada a dominar esse mercado. Serviços e Informações do Brasil
Nesse contexto, merece maior atenção uma alternativa com características particularmente interessantes para o Brasil: a produção regional de SAF a partir de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), resíduos agrícolas, florestais e outras biomassas residuais.
A importância dessa alternativa não está apenas no combustível produzido. Ela reside no fato de permitir enfrentar, simultaneamente, dois grandes desafios nacionais: produzir combustível sustentável para a aviação e oferecer destinação produtiva a materiais que hoje representam passivos ambientais e logísticos.
O estudo desenvolvido pela DBEST PLAN parte justamente dessa visão. A publicação Green Economy — Production of SAF from Urban and Rural Waste, com 211 páginas, estrutura a análise da produção de SAF a partir de Resíduos Urbano e Rurais sob as perspectivas de viabilidade econômica e financeira, risco, bancabilidade e segurança jurídica prospectiva.
Assim, os Resíduos Urbano e Rurais deixam de ser apenas problema e passa a ser matéria-prima
Todos os dias, municípios brasileiros precisam coletar, transportar, tratar e dar destinação ambientalmente adequada a grandes quantidades de resíduos. Paralelamente, regiões agrícolas e florestais geram volumes expressivos de biomassa residual.
A proposta analisada pela DBEST PLAN muda a lógica econômica desse problema: frações adequadas desses materiais podem deixar de ser consideradas exclusivamente um passivo de disposição final e passar a integrar cadeias produtivas de combustíveis de maior valor agregado.
O próprio estudo destaca essa dupla função. Os RSU representam para as cidades um desafio permanente de coleta, tratamento e destinação, mas determinadas frações orgânicas e carbonáceas também podem ser recuperadas e convertidas em energia e produtos de maior valor. Na produção de SAF, essa integração pode reunir gestão de resíduos, recuperação de recursos, geração de energia, redução de emissões e criação de valor econômico em um mesmo empreendimento (Acesse ao site dbestplan.com.br).
Essa visão também é coerente com o atual cenário tecnológico brasileiro. A ANP reconhece que diferentes matérias-primas podem participar da produção de SAF, incluindo biomassas e resíduos, enquanto o Ministério de Minas e Energia cita expressamente resíduos agrícolas e urbanos entre as fontes renováveis possíveis. Serviços e Informações do Brasil
Gaseificação e Fischer-Tropsch ampliam o conjunto de alternativas
Entre as rotas estudadas pela DBEST PLAN está a conversão termoquímica. Na gaseificação, resíduos ou biomassa podem ser transformados em gás de síntese — syngas — composto principalmente por monóxido de carbono e hidrogênio. Esse intermediário pode posteriormente alimentar processos de síntese de combustíveis, entre eles Fischer-Tropsch.
Não se trata, portanto, de apresentar essa alternativa como substituta das rotas atualmente mais discutidas, como HEFA, ATJ ou soluções envolvendo biogás e biometano. A questão é justamente o contrário: o futuro do SAF provavelmente será multirotas e multimatérias-primas.
A Empresa de Pesquisa Energética também aponta que uma combinação de diferentes rotas e matérias-primas deverá se desenvolver nos próximos anos, condicionada por disponibilidade de matéria-prima, custos, logística, financiamento e outras restrições. EPE
Essa talvez seja uma das grandes oportunidades brasileiras: em vez de procurar uma matéria-prima universal, identificar qual rota apresenta melhor combinação tecnológica, econômica, ambiental e logística para cada região.
A logística pode ser parte da solução
Existe ainda uma característica estratégica na utilização de RSU e biomassa: sua distribuição territorial.
Resíduos municipais são gerados continuamente nas cidades. Biomassas agrícolas e florestais concentram-se em determinadas regiões produtivas. Isso abre espaço para estudar uma estrutura de produção de SAF menos concentrada, com unidades localizadas de acordo com a disponibilidade regional de matéria-prima e a proximidade dos centros consumidores.
No estudo da DBEST PLAN, uma das propostas analisadas é justamente a implantação de instalações descentralizadas e estrategicamente posicionadas em relação aos grandes aeroportos, buscando reduzir custos logísticos, emissões associadas ao transporte e riscos de abastecimento.
Há aqui um princípio econômico importante: transportar resíduos por longas distâncias para depois transportar combustível de volta aos centros consumidores pode destruir parte da vantagem econômica e ambiental do projeto.
Por isso, o conceito precisa ser regional.
A localização de uma planta deve resultar da análise conjunta da disponibilidade e composição dos resíduos, distância de coleta, capacidade da instalação, produtividade de SAF, CAPEX, OPEX, custo de transporte da matéria-prima, distância até os centros de consumo, disponibilidade de infraestrutura e risco do empreendimento.
Em determinadas regiões, RSU poderá ser a alternativa mais interessante. Em outras, biomassa agrícola, resíduos florestais, biogás, biometano, etanol ou óleos residuais poderão apresentar melhores resultados.
A própria metodologia da DBEST PLAN não pressupõe antecipadamente uma tecnologia vencedora. O estudo afirma que seu objetivo é estabelecer uma estrutura de engenharia econômica capaz de comparar alternativas e determinar em quais condições cada rota pode tornar-se economicamente sustentável e qual a probabilidade de os resultados projetados serem alcançados.
Produzir SAF e, simultaneamente, resolver um passivo ambiental
É justamente aqui que a rota baseada em resíduos apresenta uma característica singular.
Uma planta convencional de combustível precisa adquirir sua matéria-prima e estruturar toda a logística necessária para recebê-la. No caso dos resíduos municipais, existe previamente uma cadeia de coleta e uma obrigação de destinação ambientalmente adequada.
Quando técnica, ambiental e economicamente possível, integrar essas duas necessidades cria um modelo de duplo benefício:
de um lado, produz-se SAF; do outro, reduz-se a quantidade de resíduos encaminhada à disposição final convencional.
Com biomassa residual ocorre raciocínio semelhante. Resíduos agrícolas, florestais e agroindustriais que tenham características adequadas podem tornar-se insumos de uma nova cadeia energética.
A publicação da DBEST PLAN amplia essa ideia para uma visão de economia circular: resíduos urbanos, agrícolas, florestais e industriais podem ser convertidos em SAF, etanol de segunda geração, hidrogênio, fertilizantes organominerais e outros produtos de maior valor agregado.
Isso significa que a discussão sobre SAF não deveria ficar restrita ao setor aéreo. Ela também pertence à agenda de saneamento, gestão de resíduos, agricultura, indústria, infraestrutura, desenvolvimento regional e economia circular.
Pré-viabilidade: antes de decidir a tecnologia, é preciso medir o risco
É nesse ponto que se encontra uma das principais contribuições da DBEST PLAN – Engenharia e Tecnologia da Informação.
Tecnologia disponível não significa, automaticamente, projeto economicamente viável.
Uma instalação pode funcionar tecnicamente e ainda assim não proporcionar retorno adequado ao capital investido. CAPEX, OPEX, produtividade, preço do SAF, custo da matéria-prima, Gate Fee, financiamento, tributação e receitas de coprodutos podem alterar profundamente a rentabilidade.
Por isso, os estudos da DBEST PLAN não se limitam ao cálculo de uma única TIR ou de um único VPL.
A metodologia utiliza Análise de Sensibilidade e Simulação de Monte Carlo, permitindo tratar IRR/TIR, NPV/VPL e payback como resultados sujeitos a distribuições de probabilidade, identificando quais variáveis representam os maiores riscos ao capital investido. O livro apresenta essa análise probabilística como instrumento para reduzir decisões baseadas em falsa precisão e direcionar medidas objetivas de mitigação de risco.
Essa abordagem é particularmente importante para tecnologias emergentes e projetos intensivos em capital.
O objetivo de um estudo de pré-viabilidade não deveria ser demonstrar que um projeto necessariamente dará certo. Deve ser determinar em quais condições ele poderá ser viável, quais variáveis podem fazê-lo fracassar e quais medidas podem reduzir esses riscos antes que centenas de milhões de reais sejam comprometidos.
O Brasil não precisa escolher uma única rota de SAF
Esse talvez seja o ponto central.
Biogás, biometano, etanol, óleos e gorduras, resíduos urbanos, biomassa agrícola, biomassa florestal e combustíveis sintéticos não precisam ser vistos como concorrentes absolutos.
O Brasil possui dimensões continentais e enorme diversidade de recursos. A solução mais eficiente no interior de uma região agrícola poderá ser diferente daquela encontrada em uma grande região metropolitana ou em um polo florestal.
A política brasileira caminha justamente no sentido da neutralidade tecnológica, e a ANP registra rotas como HEFA, ATJ e Fischer-Tropsch, entre outras possibilidades. Serviços e Informações do Brasil
A pergunta mais relevante, portanto, deixa de ser “qual é a melhor rota de SAF?” e passa a ser:
“Qual rota oferece, para determinada região e determinada matéria-prima, a melhor combinação entre produtividade, custo, logística, intensidade de carbono, rentabilidade, maturidade tecnológica e risco?”
É essa pergunta que estudos de pré-viabilidade precisam responder.
Conhecimento técnico disponível aos interessados
Para o leitor que deseja conhecer inicialmente uma visão consolidada dos principais conceitos, rotas tecnológicas, premissas econômico-financeiras, riscos e conclusões desenvolvidos no estudo completo, a DBEST PLAN disponibiliza também o “Resumo do SAF”, preparado para oferecer uma leitura objetiva e abrangente antes do aprofundamento na publicação integral. O documento constitui uma porta de entrada para investidores, financiadores, empresários, engenheiros, gestores públicos e demais interessados em compreender as oportunidades e os desafios associados à produção de SAF a partir de resíduos urbanos, biomassa e outras matérias-primas. Acesse gratuitamente o “Resumo SAF” pelo link: Acesse o link.
Entre elas está o estudo “Green Economy — Production of SAF from Urban and Rural Waste”, uma publicação técnica de 211 páginas, que aborda produção de SAF, viabilidade econômica e financeira, análise de riscos, Simulação de Monte Carlo, bancabilidade, gestão de projetos e segurança jurídica prospectiva. O próprio documento declara que sua finalidade é contribuir para projetos mais resilientes, financiáveis e sustentáveis, capazes de acelerar a transição energética e fortalecer a economia circular.
Os leitores interessados poderão acessar e baixar gratuitamente essas publicações técnicas — algumas com cerca de 210 páginas — pelo site da DBEST PLAN ou diretamente pelo QR Code que acompanha este artigo.
Acesse o site da DBEST PLAN — dbestplan.com.br
O QR Code transforma este artigo em uma porta de entrada para os estudos completos, permitindo que o leitor interessado vá além da notícia e tenha acesso às premissas, metodologias, análises econômicas, riscos e fundamentos utilizados nos estudos.
O desafio brasileiro não é apenas produzir SAF. É descobrir como transformar a necessidade mundial de descarbonização da aviação em investimento, saneamento, economia circular, desenvolvimento regional, empregos e aproveitamento inteligente dos resíduos e biomassas que o país já possui.
Nesse cenário, RSU e biomassa merecem ocupar seu lugar ao lado das demais rotas tecnológicas em avaliação.
Resíduo pode deixar de ser apenas destino de despesa. Pode tornar-se origem de combustível, renda, desenvolvimento e — quando os estudos demonstrarem sua viabilidade — de lucro verde.
