
O modelo escolhido foi o pesado E7-95T, que tem PBT (Peso Bruto Total) de 74 toneladas, podendo tracionar até 120 toneladasXCMG/Divulgação/JC
Agências
O interesse da China no setor automotivo nacional vai além do segmento de veículos leves. As empresas do país asiático observam também o potencial dos caminhões elétricos no Brasil, enquanto os Estados Unidos e a União Europeia levantam barreiras a esses importados.
Um exemplo dessa estratégia é o negócio fechado pela fabricante XCMG, que mantém produção no país, com a transportadora de grãos Navarini. A empresa fechou a compra de 251 caminhões a bateria em operação que envolveu aporte de R$ 500 milhões.
As partes assinaram o contrato em Xuzhou (China) há duas semanas. O modelo escolhido foi o pesado E7-95T, que tem PBT (Peso Bruto Total) de 74 toneladas, podendo tracionar até 120 toneladas. O veículo será empregado no transporte de produtos agrícolas em longas distâncias.
O negócio pode ser considerado um dos maiores do país envolvendo caminhões elétricos. Outra operação que chamou a atenção neste segmento foi a anunciada por VWCO (Volkswagen Caminhões e Ônibus) e Ambev em 2020, operação que envolveu 1.600 unidades do e-Delivery.
“Este negócio representa muito mais do que a venda de caminhões. Após meses de trabalho, estudos da operação, análise de relevo, entendimento das necessidades do cliente e testes em condições reais, chegamos a uma solução capaz de unir produtividade, eficiência operacional e sustentabilidade”, disse Hilário Matzenbacher, executivo da XCMG responsável pelo desenvolvimento do negócio junto à Navarini.
Para Luis Fernando Navarini, fundador da transportadora, a aquisição materializa um projeto iniciado em 2024, quando a empresa decidiu ser a primeira do agronegócio brasileiro a eletrificar sua frota.
“Nosso objetivo nunca foi apenas comprar caminhões elétricos, mas, sim, mudar a cultura do transporte no Brasil e provar que a eletrificação funciona onde ninguém acreditava que funcionaria: no pesado, na longa distância, na poeira da safra”, afirmou o executivo.
Vendas de caminhões e ônibus elétricos quase dobraram globalmente em 2025
O negócio fechado pela montadora chinesa e o cliente brasileiro ilustra bem o que está acontecendo no mercado global de veículos comerciais. As vendas de caminhões e ônibus elétricos quase dobraram globalmente em 2025, segundo dados da organização de pesquisa Conselho Internacional de Transporte Limpo.
A China foi o principal impulsionador desse crescimento. Mercados como União Europeia e Índia registraram um aumento de dois dígitos no setor de pesados a bateria, informou a organização.
Caminhões e ônibus elétricos ultrapassaram a marca de meio milhão de unidades comercializadas globalmente no ano passado, com um aumento de 86% nas vendas em relação ao ano anterior. A China foi responsável por quase 90% dessas vendas.
O cenário contrasta com o avanço dos pontos de recarga específicos para veículos pesados, algo considerado como entrave à adoção em massa de caminhões e ônibus elétricos nos principais mercados globais.
Segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), o Brasil já tem quase 30 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga para veículos eletrificados.
No entanto, a infraestrutura continua longe de representar uma rede de abastecimento para modelos de grande porte. A rede é constituída predominantemente por equipamentos de baixa potência, voltados para veículos de passeio e comerciais leves.
Na União Europeia, o Conselho Internacional de Transporte Limpo aponta que, até julho, havia na Europa 4.300 pontos de recarga para caminhões, com a Alemanha abrigando a maioria deles (cerca de mil pontos).
O volume, entretanto, está longe do ideal para atender à frota de elétricos que deverá estar em circulação em 2030. Pelas contas da Acea, que é a associação europeia das fabricantes de veículos, seriam necessários 50 mil carregadores.
Fundada em 1989 na China, a XCMG surgiu como fabricante de máquinas de construção. Em seguida, se consolidou também como montadora de caminhões para aplicações complementares a essas máquinas, seja na construção civil ou na mineração.
A empresa chegou ao Brasil em 2004 como importadora de veículos produzidos na China. Em 2014, inaugurou sua primeira fábrica de maquinário no país, na cidade de Pouso Alegre (MG).
Folhapress
