Com a tributação no destino e a redução gradual do peso dos incentivos estaduais, empresas terão de reavaliar rotas, portos, centros de distribuição e custos financeiros das operações. Santa Catarina, que consolidou um dos principais ecossistemas de comércio exterior do país a partir da combinação entre benefícios fiscais e infraestrutura, entra nessa transição com o desafio de transformar eficiência operacional em vantagem competitiva. Mudanças também podem reduzir resíduos tributários nas exportações e liberar capital de giro.
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Setembro, 2026 – A transição da reforma tributária começa a colocar em debate uma das decisões mais estratégicas do comércio exterior brasileiro: por onde importar. À medida que o novo sistema avança até 2033 e reduz gradualmente o peso dos incentivos estaduais, rotas historicamente definidas pela combinação entre benefício fiscal e logística terão de ser recalculadas. Custo de frete, velocidade no desembaraço, infraestrutura, armazenagem e capital de giro tendem a ganhar espaço na escolha da porta de entrada das mercadorias no país, em um movimento que pode redesenhar o mapa das importações brasileiras. “A reforma muda o tributo, mas também pode mudar por onde importar, de quem comprar, onde armazenar e como estruturar a cadeia”, afirma o especialista em tributação, doutor em Desenvolvimento Socioeconômico e consultor da Tendências Consultoria, Mário Westrup.
Essas mudanças colocam Santa Catarina em uma posição particular. O estado consolidou, ao longo dos anos, um dos principais ecossistemas de importação do país, com concentração de tradings, operadores logísticos, recintos alfandegados e portos, especialmente na região de Itajaí, no litoral norte. Parte dessa expansão esteve associada aos benefícios tributários, mas a estrutura criada permanece como ativo competitivo. “O que muda é a fonte da vantagem competitiva. As empresas que funcionavam essencialmente como veículos para acessar benefícios fiscais tendem a enfrentar maior pressão. Já aquelas que oferecem eficiência operacional, financiamento, inteligência comercial, gestão de risco e integração logística podem continuar competitivas”, avalia Westrup.
Para Matheus F. Bernardes, CEO da Cronos Logistics, um dos 50 maiores agentes de carga do país com sede em Itajaí, o novo desenho tende a tornar a decisão logística mais técnica e menos dependente de uma única variável tributária. “A tendência é que o cliente passe a comparar as alternativas de entrada no país de forma muito mais ampla. Para quem atua diariamente com diferentes portos, aeroportos e rotas internacionais, fica claro que eficiência operacional, frequência de serviços, conectividade e previsibilidade terão peso crescente nessa decisão. A estrutura que mantemos, com escritórios em diferentes pontos do Brasil e nos Estados Unidos, nos permite acompanhar esse movimento de forma próxima e orientar as operações a partir da realidade de cada carga”, afirma.
Possibilidade de recuperar créditos nas exportações
Do lado das exportações, a reforma também pode modificar custos. A ampliação da não cumulatividade tende a reduzir tributos que hoje permanecem incorporados ao longo da cadeia, desde que o ressarcimento dos créditos ocorra de forma ágil. “Hoje, muitas empresas exportadoras carregam créditos de difícil utilização ou recuperação. Na prática, isso transforma parte dos tributos pagos anteriormente em custo e faz com que o Brasil exporte tributos embutidos nos preços”, explica Westrup. A possibilidade de recuperar esses valores com maior eficiência pode reduzir o capital de giro imobilizado e melhorar a formação dos preços no mercado internacional.
“Essa transição exige que as empresas acompanhem suas operações com muito mais frequência e estejam preparadas para fazer ajustes ao longo dos próximos anos. Não será uma mudança pontual. O desafio será combinar planejamento, capacidade de adaptação e leitura constante dos impactos das novas regras na prática. O papel dos operadores de carga ganha ainda mais relevância ao fornecer dados que ajudem o cliente a comparar cenários, avaliar alternativas logísticas e entender os efeitos dessas mudanças tanto nas importações quanto nas exportações”, complementa Fábio Rengel, COO da Cronos Logistics.
Sobre a Cronos Logistics
Com mais de 20 anos de experiência no comércio internacional e sede em Itajaí (SC), um dos principais polos logísticos do país, a Cronos Logistics está no ranking dos 50 maiores agentes de carga internacional do Brasil, especializada em operações de importação e exportação pelos modais marítimo e aéreo. A empresa oferece soluções para cargas consolidadas, projetos especiais, cargas vivas, seguro de transporte, courier, cabotagem e acompanhamento 24 horas. Além de Santa Catarina, a companhia está presente em Caxias do Sul (RS), Curitiba (PR), São Paulo (SP), Salvador (BA) e Fortaleza (CE), além de manter unidades próprias em Miami e Nova York, nos Estados Unidos. Entre suas certificações estão OEA, ISO 9001 e IATA.
Mais informações: https://www.cronoslogistics.com.br/
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Maikeli Alves
Assessora de imprensa | Rotas Comunicação
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