Estudos da CNT mostram o potencial da mobilidade coletiva entre as possibilidades analisadas pelo setor na preparação para a COP31

Por Fabiana Vieira

Transportar mais pessoas em menos veículos pode mudar de forma expressiva o resultado das emissões. Em um percurso de 100 quilômetros, um ônibus urbano com 70 passageiros emite cerca de 126 quilos de CO2. Para transportar o mesmo número de pessoas em automóveis, considerando duas por veículo, seriam necessários 35 carros, com emissões que chegam a 782,25 quilos de CO2, equivalentes a 6,21 vezes a emissão do ônibus.

Os números são do Radar CNT do Transporte – Comparativos de emissões no transporte rodoviário, publicado pela CNT em 2025. Na preparação para a COP31, o estudo acrescenta outra dimensão à análise sobre a redução de emissões no transporte. Além da tecnologia dos veículos e das fontes de energia, a forma como as pessoas se deslocam e a capacidade de transportar mais passageiros também influenciam esse resultado.

Entre os indicadores analisados, está a emissão por tonelada por quilômetro útil transportada, a TKU. No cálculo da CNT, um ônibus urbano a diesel emite 0,24 quilo de CO2 por TKU, ante 1,49 quilo de CO2 por TKU de um automóvel a gasolina.

Para Vinicius Ladeira, diretor do Sistema Transporte e líder do projeto Transporte e a COP, levar essa discussão à Conferência das Partes permite inserir a realidade da mobilidade brasileira em um debate internacional sobre os caminhos para uma mobilidade de baixo carbono. “A COP31 é um espaço para discutir soluções que possam ser aplicadas considerando as diferentes realidades dos países. No Brasil, onde o transporte rodoviário tem grande participação nos deslocamentos, temos dados que mostram o potencial do transporte coletivo para reduzir as emissões por passageiro. Queremos levar essa experiência ao debate internacional e, ao mesmo tempo, conhecer soluções que possam contribuir para avançarmos”, afirma.

O coletivo perdeu espaço

A vantagem nas emissões encontra um contraponto na própria mobilidade brasileira. A Pesquisa CNT de Mobilidade da População Urbana, publicada em 2024, mostra que o uso do ônibus caiu de participação nos deslocamentos pelas cidades de 45,2%, em 2017, para 30,9%, em 2024, enquanto cresceram os deslocamentos de carro próprio, motocicleta e por aplicativo.

O dado mostra que transformar a vantagem ambiental do transporte coletivo em maior participação nos deslocamentos depende também de recuperar passageiros. Qualidade, integração, infraestrutura e segurança dos sistemas entram nessa equação.

Um novo cenário desde a COP30

A mobilidade de baixo carbono já esteve entre os temas discutidos pelo Sistema Transporte na COP30, em Belém. O transporte coletivo apareceu entre as alternativas para reduzir emissões por passageiro, melhorar a qualidade do ar e diminuir a dependência dos meios individuais.

Desde então, o Brasil teve uma mudança importante nesse campo. Em junho de 2026, foi sancionado o novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo Urbano, uma das pautas prioritárias do Sistema Transporte.

A legislação atualiza regras de financiamento, organização e gestão dos sistemas. A mudança ocorre no intervalo entre as duas conferências, em um momento em que a agenda climática internacional direciona atenção à implementação de soluções e às políticas capazes de transformar compromissos climáticos em mudanças nos países. A conferência vem sendo preparada com essa perspectiva, incluindo cidades e infraestrutura resilientes entre os temas da Agenda de Ação Climática.

O diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, participou da interlocução do Sistema Transporte com o Congresso Nacional e o governo federal em torno do novo Marco. Para ele, a nova legislação atualiza a discussão sobre o papel do transporte coletivo na mobilidade de baixo carbono desde a COP30.

“Entre a COP30 e a COP31, o Brasil avançou em uma questão importante sobre o transporte coletivo. O novo Marco cria condições para melhorar o financiamento, a gestão e a qualidade dos sistemas. Para o Sistema Transporte, a nova legislação pode contribuir para tornar o serviço mais atrativo, recuperar passageiros e aproveitar melhor a capacidade do coletivo de transportar mais pessoas com menor emissão por passageiro”, afirma Valter Souza.

Rumo à COP31

Esta reportagem integra a série Rumo à COP31, que apresenta estudos, análises e iniciativas do Sistema Transporte na preparação para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia.

Os conteúdos podem ser conferidos no hotsite Transporte e a COP31, que reúne informações, estudos e vídeos sobre a participação do Sistema Transporte na conferência. Em Antália, a participação do Sistema Transporte inclui o Pavilhão Internacional do Transporte, na Blue Zone da COP31, desenvolvido em parceria com a SLOCAT Partnership.

Conheça o hotsite Transporte e a COP31

https://www.cnt.org.br/agencia-cnt/como-o-transporte-coletivo-pode-contribuir-para-reduzir-emissoes

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