Deslocamentos, esperas, equipamentos ociosos e interrupções passam a ser medidos em tempo real; downtime já custa US$ 600 bilhões por ano às maiores companhias abertas do mundo

De dispositivos inteligentes a grandes operações industriais conectadas, a Internet das Coisas (IoT) está prestes a gerar US$ 12,6 trilhões de dólares em valor até o final da década, de acordo com a McKinsey Global Institute (MGI).

Na indústria, a IoT abriu espaço para uma nova geração de indicadores capazes de mostrar onde tempo, recursos e dinheiro se perdem ao longo da operação.

“Essa tecnologia trouxe respostas para perdas que sempre existiram, mas nunca puderam ser resolvidas apropriadamente”, explica Tulio Cerviño, CEO Latam e vice-presidente global de Operações Industriais da TRACKFY | WAKECAP.

Tulio Cerviño, CEO Latam e vice-presidente global de Operações Industriais da TRACKFY | WAKECAP

Segundo ele, por muito tempo, o objetivo das empresas esteve concentrado em produzir mais. Com o passar dos anos, porém, a prioridade mudou. “Agora é entender onde a eficiência se perde antes que os impactos apareçam nos indicadores financeiros”, destaca.

Foi nesse contexto que ganharam espaço indicadores capazes de medir perdas antes difíceis de enxergar, como deslocamentos desnecessários, tempo de espera entre atividades, ociosidade de equipamentos e pequenos atrasos que, somados, podem comprometer um cronograma inteiro.

“Hoje, esse ‘tempo invisível’ passou a ser medido e se tornou uma das informações mais valiosas da indústria”, afirma Cerviño.

O custo da indisponibilidade (downtime) não planejada para as empresas da Global 2000, as maiores empresas de capital aberto do mundo, por exemplo, chegou a US$ 600 bilhões por ano em 2026, um aumento de 50% em apenas dois anos, e cada minuto de interrupção custa, em média, US$ 15 mil às organizações. A queda média no valor das ações após uma única interrupção do serviço é de 3,4%, de acordo com o estudo da Splunk/Cisco, em parceria com a Oxford Economics.

É justamente nesse cenário que a IoT avança na indústria. Segundo a IDC, os investimentos globais em soluções de IoT devem ultrapassar US$ 1 trilhão em 2026, impulsionados principalmente por setores como manufatura, infraestrutura, mineração, energia e logística.

“Boa parte dessa inteligência vem dos dispositivos vestíveis, os chamados wearables. Acoplados aos equipamentos de proteção individual (EPIs), eles registram continuamente informações como localização das equipes, deslocamentos, permanência em áreas operacionais, interação entre trabalhadores e equipamentos, utilização de ativos e até condições ambientais”, conta Tulio Cerviño.

A partir daí, integrados a plataformas analíticas, esses dados permitem enxergar uma operação sob uma perspectiva que simplesmente não existia alguns anos atrás.

É essa lógica que norteia a tecnologia desenvolvida pela TRACKFY | WAKECAP. A plataforma conecta trabalhadores, equipamentos e ativos críticos por meio de sensores inteligentes, wearables e uma rede mesh própria de comunicação, que dispensa infraestrutura de Wi-Fi ou GPS, uma característica importante para ambientes como operações de mineração, refinarias, plantas industriais e grandes obras de infraestrutura, onde a conectividade convencional costuma ser limitada.

“O wearable é apenas a ponta visível da tecnologia. Além de conectar dispositivos, a tecnologia passou a criar uma camada permanente de inteligência operacional, transformando milhões de eventos diários em informações capazes de orientar decisões diárias”, explica.

Isso significa transformar aquilo que antes era invisível em informação de negócio, como conta Cerviño. “A plataforma consegue mostrar, por exemplo, quanto tempo uma equipe permanece aguardando a liberação de uma atividade, quais recursos estão sendo subutilizados, onde existem deslocamentos excessivos para busca de ferramentas ou materiais e quais áreas concentram maior fluxo de pessoas”.

“A ideia não é apenas obter dados, e sim agir com inteligência, trazendo análises práticas para os gestores e garantindo mais segurança para quem está na linha de frente”, conta Cerviño. “A tecnologia deixa de ser um fim em si mesma para se tornar um instrumento de cuidado com as pessoas, ao mesmo tempo em que traz ganhos operacionais reais para as empresas”, completa.

Em situações de emergência, por exemplo, a plataforma permite localizar instantaneamente trabalhadores presentes em uma determinada área, verificar quem já foi evacuado e identificar quem ainda permanece em zonas de risco. O sistema também apoia o controle de acesso a áreas restritas, o monitoramento de trabalhadores isolados e a análise de exposição a condições ambientais adversas, fortalecendo os protocolos de segurança.

“Em vez de descobrir problemas apenas ao final do turno, a tecnologia permite identificar gargalos, redistribuir equipes, localizar ativos, monitorar áreas de risco e acompanhar indicadores operacionais enquanto as atividades ainda estão em andamento”, destaca o CEO.

Ao levar o conceito de smart worker para as plantas industriais, modelo da Indústria 5.0 que combina tecnologia, conectividade e análise de dados para tornar o trabalho mais seguro, eficiente e produtivo, a plataforma amplia a proteção do trabalhador.

“O conceito de smart worker não significa monitorar pessoas. Nossa prioridade é que o trabalhador volte para casa em segurança todos os dias. Os wearables ampliam a capacidade de prevenção ao fornecer informações em tempo real sobre exposição a riscos, fadiga e permanência em áreas críticas, permitindo que a empresa atue antes que uma situação de perigo se transforme em um acidente.”

Os resultados já aparecem em operações de grande escala. Um dos clientes da WAKECAP registrou um aumento de 37% na frequência ao canteiro de obras após a implantação do recurso que automatiza o controle de presença das equipes.

Cerviño destaca que “os clientes reportaram redução de até 40% nos incidentes de segurança em áreas monitoradas e ganhos de produtividade médios de 20% no dia a dia de manutenção e operação, ao otimizar fluxos e reduzir tempos de parada não programada”.

Outros resultados nas operações falam por si. “Já tivemos casos em que as empresas ganharam com redução de 1,5% em custos com seguro, enquanto reduziam em 50% o tempo médio nas evacuações de emergência e encurtavam em 25% os cronogramas de projetos. Com a tecnologia aplicada ao chão de fábrica, a produtividade média cresce 67%, com retorno sobre o investimento até 50 vezes superior ao valor investido, ao mesmo tempo em que as empresas melhoram de forma consistente a experiência e a segurança dos trabalhadores”, afirma.

Após a integração entre TRACKFY e WAKECAP, a tecnologia passou a atuar em projetos industriais e de infraestrutura avaliados em mais de US$ 120 bilhões, consolidando presença em empreendimentos de alta complexidade em diferentes países.

O reconhecimento também veio do mercado internacional. Recentemente, a revista Construction Digital incluiu a TRACKFY | WAKECAP entre as dez principais soluções de Internet das Coisas para construção do mundo, ao lado de empresas como Caterpillar, MSA Safety, Dräger, Trimble e Trackunit. O levantamento destacou justamente a capacidade da plataforma de criar uma visão integrada da operação, conectando trabalhadores, equipamentos e condições ambientais em tempo real.

“Daqui a alguns anos, será difícil imaginar uma operação industrial funcionando sem esse nível de visibilidade. Hoje, ninguém administra uma empresa olhando apenas o balanço financeiro uma vez por mês. Na indústria, acontece o mesmo: as decisões deixam de ser baseadas em relatórios do passado e passam a ser tomadas com informações geradas no momento em que a operação acontece. Essa é uma mudança estrutural na forma de gerir ativos, pessoas e riscos”, conclui.

Mais informações: https://trackfyapp.com.br/  

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referências:

https://newsroom.cisco.com/c/r/newsroom/en/us/a/y2026/m05/the-600-billion-wake-up-call-new-splunk-research-reveals-downtime-is-a-systemic-business-crisis.html

https://www.axios.com/2021/11/10/internet-of-things-mckinsey-study

Tulio Cerviño, CEO Latam e VP Global de Operações Industriais da Trackfy | Wakecap
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