Com picos de consumo cada vez mais frequentes e a chegada de data centers e outras cargas eletrointensivas, a EPE estima que o país tem até 13 GW de potencial para ajustar a demanda de energia, mas usa só uma fração disso. Para as empresas, consumir melhor passa a ser tão estratégico quanto garantir oferta.
Temperaturas mais altas e mais frequentes já alteram o padrão de consumo de energia no Brasil. Ondas de calor elevam o uso de sistemas de refrigeração e climatização e pressionam os picos de demanda do sistema elétrico. No verão de 2025, a demanda instantânea de energia bateu sucessivos recordes em meio a temperaturas elevadas em diversas regiões do país, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
A resposta mais rápida a esse cenário pode estar do lado do consumo. Estudo divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em 21 de setembro estima em 8,8 GW o potencial de resposta da demanda no Brasil, com faixa entre 5,9 GW e 13,1 GW. Nesse mecanismo, os consumidores ajustam o uso de energia em troca de sinais econômicos. A capacidade efetivamente contratada, porém, equivale a apenas 0,3% do pico do sistema. Para a EPE, reduzir e modular o consumo pode ser uma alternativa mais rápida e econômica do que contratar ou despachar nova geração.
O Brasil parte de uma posição privilegiada na transição energética: em 2025, 86,8% da oferta interna de energia elétrica do país veio de fontes renováveis, segundo o Balanço Energético Nacional 2026, da EPE. Quando considerada a matriz energética como um todo, que inclui combustíveis usados em transporte, indústria e outros setores, a participação de fontes renováveis foi de 49,5%. Ter uma eletricidade majoritariamente renovável, porém, não elimina a necessidade de usar a energia de forma mais eficiente.
O cenário tende a ganhar complexidade com a entrada de novas cargas de grande porte. Estudo da EPE de 2026 identificou 30 projetos de data centers no Nordeste, com potencial de 8,3 GW até 2038, além de 21 projetos da cadeia do hidrogênio, que somam 26,7 GW de potência instalada no mesmo horizonte. A expansão dessas cargas exige planejamento da rede, mas também reforça a importância de reduzir desperdícios e otimizar o consumo.
No cenário global, a pressão sobre a oferta também já se reflete nos investimentos. A Agência Internacional de Energia (IEA) estima US$ 3,4 trilhões em investimentos no setor energético em 2026. Desse total, aproximadamente US$ 2,2 trilhões serão destinados a renováveis, nuclear, redes, armazenamento, combustíveis de baixa emissão, eficiência e eletrificação, quase o dobro dos US$ 1,2 trilhão previstos para petróleo, gás natural e carvão.
É nesse contexto que a eficiência energética deixa de ser apenas uma pauta ambiental e passa a ser uma questão de competitividade, previsibilidade de custos e resiliência operacional. Para a Danfoss, tecnologias já disponíveis permitem reduzir o consumo sem comprometer a produtividade, especialmente em sistemas como HVAC, motores, bombas, compressores e automação.
Os dados que sustentam a visão da Danfoss
Além dos dados de mercado, a pauta pode ser sustentada por estudos e referências utilizados globalmente pela Danfoss.
No segmento de edifícios, estudo da Danfoss aponta potencial médio de 30% de economia de energia com a otimização dos sistemas técnicos, com payback médio de dois anos.
Em escala global, a Danfoss destaca estimativa da Agência Internacional de Energia (IEA): acelerar as medidas de eficiência energética poderia reduzir os custos de energia em até US$ 2 trilhões e criar cerca de 10 milhões de empregos até 2030.
Esses dados ajudam a deslocar a discussão de eficiência energética de uma agenda exclusivamente ambiental para uma perspectiva de retorno sobre investimento, redução de custos e competitividade empresarial.
Pontos que sustentam a pauta
- Resposta da demanda: a EPE estima potencial de 8,8 GW (entre 5,9 GW e 13,1 GW) para ajuste de consumo no Brasil. A capacidade contratada hoje equivale a só 0,3% do pico do sistema.
- Clima e pressão sobre o sistema: ondas de calor levaram a demanda instantânea de energia a sucessivos recordes no verão de 2025, segundo o ONS.
- Brasil: a matriz elétrica brasileira alcançou 86,8% de renovabilidade em 2025, enquanto a participação de renováveis na matriz energética total foi de 49,5%, segundo a EPE.
- Novas cargas: a EPE mapeou 30 projetos de data centers no Nordeste, com potencial de 8,3 GW até 2038, além de projetos de hidrogênio que podem adicionar 26,7 GW de potência instalada.
- Investimento global: a IEA prevê US$ 3,4 trilhões em investimentos em energia em 2026, sendo US$ 2,2 trilhões destinados a tecnologias e infraestrutura de energia limpa, incluindo eficiência e eletrificação.
- Referência global: segundo a IEA, medidas de eficiência energética podem reduzir os custos globais de energia em até US$ 2 trilhões e contribuir para a criação de 10 milhões de empregos até 2030.
- Aplicação prática: a Danfoss estima 30% de economia média de energia e payback de dois anos com a otimização dos sistemas técnicos de edifícios.
Ângulo editorial
A proposta é mostrar que, diante de temperaturas extremas, picos de demanda cada vez mais frequentes e novas cargas eletrointensivas, a discussão sobre energia para as empresas não passa apenas por produzir mais, mas por consumir melhor.
O Brasil tem uma matriz elétrica majoritariamente renovável, mas isso não elimina os desafios relacionados a picos de demanda, custos, infraestrutura e eficiência. O próprio planejamento energético do país já reconhece que ajustar o consumo pode ser mais rápido e barato do que expandir a geração. Nesse cenário, tecnologias de eficiência energética podem funcionar ao mesmo tempo como ferramenta de redução de despesas, descarbonização e resiliência operacional. A Danfoss pode contribuir com sua visão sobre como as empresas podem identificar desperdícios, otimizar sistemas e transformar eficiência energética em uma decisão de negócio, apoiando-se também em estudos e dados desenvolvidos e utilizados globalmente pela companhia.
Fernanda Casemiro fernanda@pressaporter.com.br
