A confirmação do El Niño 2026/2027 e o avanço das medidas de preparação para seus possíveis impactos colocam a gestão da água novamente no radar das empresas, não apenas pela perspectiva ambiental, mas também pelos riscos financeiros e operacionais associados à sua disponibilidade. Em 14 de setembro, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) apresentou um plano específico para enfrentar os efeitos do fenômeno sobre os recursos hídricos até março de 2027. O cenário exige atenção porque as projeções apontam comportamentos diferentes entre as regiões brasileiras, com possibilidade de déficit hídrico em parte do território e temperaturas elevadas em determinadas áreas.
Para Lorena Zapata, diretora de Novos Negócios e Sustentabilidade da Engeper Ambiental e Perfurações, o tema precisa ser incorporado à gestão de riscos das empresas porque problemas relacionados à água podem atingir diretamente a continuidade das operações. “Quando a água é tratada apenas como uma despesa operacional, a empresa tende a olhar para o valor da conta e não para o custo que uma interrupção, uma falha de captação ou uma manutenção emergencial pode representar para o negócio. O planejamento hídrico precisa considerar justamente esses riscos e transformar a água em uma variável acompanhada de forma estratégica”, afirma.
A terceira edição do Painel El Niño, divulgada pela ANA em setembro, mostra que os modelos climáticos indicam 100% de probabilidade de permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027 e apontam possibilidade de intensificação do déficit hídrico em parte do país. O mesmo levantamento registrou que os reservatórios do Sistema Interligado Nacional estavam com 69,5% do volume útil em 26 de agosto, 5,7 pontos percentuais abaixo do registrado em julho. Nesse contexto, a discussão pode mostrar como empresas podem se preparar para diferentes cenários a partir de medidas como monitoramento do consumo, identificação de perdas, manutenção preventiva de sistemas, avaliação da infraestrutura de captação, tratamento e aproveitamento de água.
A experiência da Engeper em projetos de gestão hídrica permite abordar a questão a partir de situações concretas, mostrando que segurança hídrica não depende exclusivamente da busca por novas fontes de abastecimento. Avaliar a eficiência dos sistemas existentes, antecipar manutenções, acompanhar indicadores de consumo e identificar possibilidades de tratamento e reuso também pode contribuir para reduzir vulnerabilidades e dar maior previsibilidade aos custos e à operação.
Na avaliação de Lorena Zapata, essa mudança de perspectiva é importante justamente porque o impacto financeiro de um problema hídrico pode aparecer antes mesmo de uma eventual escassez. “A empresa que monitora sua estrutura e entende onde estão os riscos consegue tomar decisões antes que uma falha se transforme em paralisação, contratação emergencial ou perda de produtividade. Em um cenário de maior variabilidade climática, investir em prevenção significa dar mais previsibilidade para uma variável que pode afetar diretamente a operação e o resultado financeiro”, completa.
Sobre a Engeper
A Engeper Ambiental e Perfurações atua desde 2009 na gestão de recursos hídricos, oferecendo soluções integradas para captação, tratamento, monitoramento, eficiência e reúso de água. Com mais de 45 anos de experiência acumulada de sua equipe no setor, a empresa desenvolve projetos voltados à segurança hídrica de indústrias, empresas e empreendimentos, combinando tecnologia, engenharia e gestão para otimizar o uso dos recursos naturais. Entre suas soluções estão projetos de poços artesianos, sistemas de tratamento e tecnologias para aproveitamento e reúso de água. A Engeper também desenvolve iniciativas relacionadas à sustentabilidade e eficiência hídrica, buscando integrar a gestão da água às necessidades operacionais e ambientais de cada projeto.

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Gabriel Moreira gabriel.moreira@mention.net.br
