Em encontro no Chile, instituição destacou resultados do programa Rota da Acessibilidade e participou de discussões sobre corredores internacionais de carga segura
Por Agência CNT Transporte Atual

O Sistema Transporte participou da 43ª Assembleia Geral da CIT (Câmara Internacional de Logística e Transportes), realizada de 7 a 9 de outubro, em Santiago, no Chile. Representado pelo SEST SENAT, o Sistema apresentou a experiência brasileira na promoção da acessibilidade no transporte e defendeu uma agenda integrada que contemple usuários dos serviços, trabalhadores, empresas e instituições de formação profissional.
Durante o encontro, a diretora executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, apresentou o programa Rota da Acessibilidade e os resultados das ações desenvolvidas no Brasil. A iniciativa reúne medidas de qualificação profissional, inclusão no mercado de trabalho, acessibilidade física e digital, melhoria do atendimento e preparação das empresas para contratar, acolher e desenvolver profissionais com deficiência.
A apresentação foi baseada em um levantamento sobre experiências adotadas por países das Américas. “As experiências de outros países nos ajudam a compreender que a acessibilidade precisa acompanhar toda a jornada da pessoa”, afirmou Nicole.
Segundo a diretora, além de garantir informações acessíveis, infraestrutura adequada, segurança no embarque e atendimento, é necessário assegurar condições para que pessoas com deficiência possam se qualificar, participar de processos seletivos, ingressar no mercado de trabalho e desenvolver suas carreiras no setor.
Nicole destacou que, no Brasil, a legislação estabelece cotas para a contratação de pessoas com deficiência, mas o cumprimento dessa exigência não elimina, por si só, as barreiras enfrentadas por esses profissionais no mercado de trabalho.
“Cumprir a cota não significa que o processo seletivo seja acessível e que a liderança esteja preparada para receber a pessoa com deficiência. É preciso que o profissional encontre oportunidades compatíveis com as suas competências e que tenha condições de crescer dentro da organização”, disse.
A diretora também apresentou o Estudo de Materialidade do Setor de Transporte Rodoviário, elaborado pelo SEST SENAT. O levantamento analisou 30 temas potencialmente relevantes para o setor e identificou dez prioritários para a agenda ESG (ambiental, social e de governança).
Entre os temas prioritários, quatro estão diretamente relacionados ao eixo social: saúde, segurança e qualidade de vida dos trabalhadores; formação, desenvolvimento e retenção de profissionais; qualidade e segurança no atendimento aos usuários e tomadores de serviço; e condições dignas de trabalho em toda a cadeia do transporte.
Nesse contexto, a acessibilidade é tratada como uma agenda transversal, que abrange tanto a experiência dos usuários quanto a formação profissional, a empregabilidade e as condições de trabalho.
Rota da Acessibilidade
Desenvolvido pelo SEST SENAT, o programa Rota da Acessibilidade reúne ações de sensibilização e capacitação, identificação e superação de barreiras, promoção da acessibilidade física, digital e comunicacional, inclusão profissional e apoio às empresas. A iniciativa considera a pessoa com deficiência em diferentes etapas de sua relação com o setor de transporte, como cliente, estudante e profissional.
Entre os resultados apresentados, estão 160 turmas de formação profissional para pessoas com deficiência, que somaram mais de 3.500 matrículas. Mais de 500 pessoas foram encaminhadas para oportunidades no setor. Nas ações relacionadas à Libras, à inclusão e ao atendimento humanizado, foram realizadas mais de 1.400 turmas, com mais de 50 mil matrículas. Já os serviços de saúde do SEST registraram mais de 7 mil atendimentos a pessoas com deficiência.
Segurança nos corredores internacionais
A segurança da cadeia logística internacional também integrou a agenda da assembleia. Durante o encontro, foi assinado um documento que institui a agenda regional “CIT – Corredores Internacionais de Carga Segura”.
A resolução prevê a articulação entre países para enfrentar riscos que afetam o transporte internacional, como roubo de cargas e veículos, sequestro de motoristas, contrabando e contaminação de cargas.
A participação brasileira na assembleia reuniu, assim, duas frentes estratégicas para o desenvolvimento do transporte: a promoção de ambientes mais acessíveis e inclusivos e o fortalecimento da segurança nas operações internacionais de carga.
