
Iniciativa já mobilizou 3,4 toneladas de recicláveis em escolas e comunidades em apenas quatro meses deste anoGalvanoteck/Divulgação/JC

O Projeto Reciclos, iniciativa de educação ambiental e economia circular da Galvanotek, já recolheu 3.434,6 quilos de materiais recicláveis em quatro meses de coleta, entre maio e setembro de 2026. A ação mobiliza escolas, entidades, empresas e comunidades de Carlos Barbosa e Barão, na Serra Gaúcha, e tem uma proposta simples: o material coletado é encaminhado à reciclagem e o valor arrecadado volta para as escolas participantes.
A história do projeto está ligada à trajetória da própria empresa, que completa 35 anos em 2026. Segundo Paula Bragagnolo, analista de Pesquisa e Desenvolvimento da Galvanotek, o avô dela investiu em 1997 na primeira máquina de PET da fábrica por entender que o material, 100% reciclável, era uma aposta de futuro. “Desde o começo, a gente já tinha essa visão da sustentabilidade”, lembra.
Em 2014, a empresa trouxe da Europa a tecnologia ABA, uma espécie de sanduíche de camadas: PET virgem por fora e material reciclado no miolo. Homologado pela Anvisa, o sistema permite usar PET reciclado com segurança em embalagens que têm contato com alimentos, e a Galvanotek foi pioneira nisso no Brasil. Hoje, cerca de 60% da matéria-prima da empresa é resina reciclada, o que a coloca entre as maiores consumidoras do insumo no país.
Mais recentemente, em parceria com uma recicladora da região, a empresa avançou na reciclagem de bandejas, embalagens de PET, como as de tortas, agora podem voltar a ser bandejas. O processamento ocorre em uma nova máquina instalada na Bragma, outra fábrica do grupo. Com o ciclo mais fechado e a tecnologia consolidada, a Galvanotek decidiu ampliar a aposta no Reciclos, voltado à conscientização.
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Na prática, a Galvanotek deixa bags nas escolas participantes, onde alunos e famílias separam embalagens recicláveis. Toda semana, uma equipe da empresa retira o material, que é pesado, separado e enviado à recicladora parceira. Depois de processado, ele é comprado de volta pela Galvanotek, fechando o ciclo da reciclagem. Tudo é documentado, com prestação de contas, e o valor vai direto para a conta da escola, sem intermediários. Cada instituição decide como usar o recurso, seja em uma viagem de formatura ou em melhorias de infraestrutura.
O trabalho nas escolas é conduzido com o Instituto Dileta Menetrier Bragagnolo, braço social do Grupo Galvanotek, criado pela família para apoiar causas sociais e a comunidade. Para as crianças, foi desenvolvida uma cartilha que conta a história do plástico como uma caça ao tesouro, guiada pelo mascote Galvito. A cada nova escola, a equipe entrega um exemplar a cada aluno e leva o próprio Galvito para a conversa, mostrando que todo resíduo é matéria-prima.
A escolha das escolas tem motivo. Segundo Paula, são as crianças que levam o assunto para casa e mobilizam a família. Em Carlos Barbosa, comunidades recolheram garrafas em festas e envolveram restaurantes para ajudar a escola. A coleta também acontece dentro da fábrica, com ponto no estacionamento, e de forma permanente no ginásio da Associação Carlos Barbosa de Futsal (ACBF), reforçada na semana da Libertadores de Futsal.
A resposta da comunidade superou as expectativas de quem idealizou o projeto. Paula conta que o engajamento, sobretudo das escolas de educação infantil, foi uma surpresa positiva para uma iniciativa ainda tratada como laboratório. A meta mais clara, por ora, é ampliar o alcance. Escolas de outras cidades já procuraram a empresa, e a ideia é expandir de forma gradual, começando pelo interior. O Reciclos não tem prazo para terminar.
Para Paula, o projeto reforça uma convicção: o comportamento muda quando há estrutura. “A sustentabilidade é menos um problema de cultura e mais um problema de infraestrutura”, afirma. Na experiência da coleta, as pessoas passaram a separar o material quando viram lixeiras claras e perceberam que o resíduo não era misturado e que o resultado voltava para a escola.
Valores vão além da fábrica e embalagens recicláveis reforçam sustentabilidade e inclusão na Serra
Sediada em Carlos Barbosa, a Galvanotek, que completa 35 anos em 2026, fabrica embalagens plásticas com foco em segurança alimentar, sustentabilidade e inovação. A empresa mantém as certificações internacionais ISO 9001, FSSC 22000 e ISO 45001, produz embalagens com material reciclado, 100% recicláveis, e tem na tecnologia, no design e na sustentabilidade os seus pilares.
Na prática, esses valores aparecem em detalhes do produto. Os moldes das embalagens trazem a inscrição “Recicle-me”, que ajuda catadores e cooperativas a identificar o material, um desafio comum no país, já que há muitos tipos de plástico e nem sempre é fácil distingui-los. Paula lembra que embalagens de sushi, de bolo e de biscoito, por exemplo, podem ser recicladas.
Os benefícios do Reciclos alcançam diferentes frentes. Para as escolas, há recursos livres para investir em suas prioridades. Para os estudantes, uma educação ambiental prática, que chega às famílias. Para a cadeia da reciclagem, resíduos mais limpos e separados, que facilitam o trabalho de quem coleta. E, para o meio ambiente, a retirada de toneladas de PET e PP do descarte comum e o retorno desses materiais ao ciclo produtivo.
O compromisso social também se estende aos colaboradores. O Instituto Dileta Menetrier Bragagnolo, criado pela família para apoiar causas sociais e se envolver com a comunidade, cuida da saúde de quem trabalha na empresa e promove encontros educativos, como aulas para gestantes com acompanhamento de psicóloga. Dentro da fábrica, o Reciclos Interno incentiva os funcionários a levar materiais de casa para um ponto de coleta no estacionamento.
Para a empresa, é nesse conjunto de ações que a sustentabilidade deixa de ser discurso. “Quando as escolas participam desse processo, o aprendizado ultrapassa a sala de aula e chega às famílias”, afirma Arlei Dupont, coordenador do Instituto. Com o projeto ainda em fase de ajustes, a meta é expandir para mais cidades e consolidar uma cultura em que cada embalagem descartada corretamente volte ao ciclo produtivo e gere novos produtos.
