Ministério de Portos e Aeroportos estabelece diretrizes para padronizar a biometria no embarque; estudo reúne indicadores do reconhecimento facial e da leitura das veias da palma da mão
O Ministério de Portos e Aeroportos instituiu neste ano a Política Nacional Setorial de Identificação Biométrica, que estabelece diretrizes para padronizar e ampliar o uso dessas tecnologias em aeroportos, portos e hidrovias. O objetivo é tornar mais ágil e segura a identificação de passageiros, tripulantes e trabalhadores, com sistemas capazes de consultar bases oficiais de dados. Para quem viaja, a medida leva ao embarque soluções que já fazem parte do cotidiano, como o reconhecimento facial e a leitura de impressões digitais, usadas hoje para acessar serviços públicos, entrar em edifícios comerciais ou desbloquear o celular.
Com a nova política, outras modalidades de identificação também entram na discussão sobre segurança e eficiência dos embarques. Um estudo técnico publicado em 2026, como subsídio para a consulta pública da Política Nacional Setorial de Identificação Biométrica, reúne indicadores de desempenho do reconhecimento facial e da leitura das veias da palma da mão. Segundo o levantamento, as referências consultadas apontam taxa de falsa aceitação de 0,00008% para a biometria palmar, enquanto os valores apresentados para o reconhecimento facial variam de 0,1% a 1%. O indicador mede a frequência com que um sistema pode autenticar indevidamente uma pessoa como se fosse outra. Os números foram extraídos de referências técnicas distintas e não correspondem a testes comparativos realizados sob as mesmas condições.
O estudo também considera fatores que podem afetar o reconhecimento facial, como iluminação, ângulo da câmera e mudanças na aparência. Já a biometria palmar utiliza características vasculares localizadas sob a pele, menos suscetíveis a essas variações. A forma de captura também muda: na leitura da palma, o passageiro precisa aproximar a mão do equipamento, enquanto o reconhecimento facial pode ocorrer de maneira passiva, como em sistemas de videomonitoramento que identificam pessoas sem interação direta com as câmeras.
Por essas diferenças, a biometria palmar surge como alternativa ao reconhecimento facial em processos que exigem maior precisão. A tecnologia de Embarque Palmar foi desenvolvida para aeroportos e transporte interestadual pela BioStation, empresa brasileira especializada em autenticação digital e identidade biométrica. Ela usa luz infravermelha para identificar o padrão das veias da mão e verificar sinais associados ao fluxo sanguíneo. Como essas estruturas não são visíveis a olho nu, reproduzi-las por meios convencionais, como fotografias e vídeos, é mais difícil, o que pode reduzir a eficácia de tentativas de falsificação baseadas nesse tipo de imagem. O sistema também protege os dados biométricos com criptografia e com Módulos de Segurança de Hardware (HSM), dispositivos especializados na custódia das chaves criptográficas usadas no processo.
“O reconhecimento facial já desempenha um papel importante na modernização dos aeroportos, mas não precisa ser a única opção. A biometria palmar oferece características que podem complementar os sistemas existentes, especialmente em operações que exigem controles de acesso rigorosos e um fluxo elevado de pessoas. O objetivo é permitir que diferentes tecnologias trabalhem de forma integrada, tornando o embarque mais simples para o passageiro sem comprometer a integridade das suas informações pessoais”, afirma Leonardo Araújo, CEO da BioStation.
A política nacional adota ainda o princípio da neutralidade tecnológica, que permite diferentes formas de identificação desde que atendam aos requisitos de desempenho, confiabilidade e interoperabilidade. Com a expansão dessas soluções no transporte brasileiro, o debate vai além da substituição de documentos físicos e passa a envolver a escolha das tecnologias mais adequadas para cada ambiente, sua capacidade de operar em conjunto com os bancos de dados necessários para o embarque e a garantia de segurança e conforto para os passageiros.
Sobre a BioStation A BioStation é uma empresa brasileira voltada à infraestrutura de autenticação, identidade digital e soluções biométricas para governos e organizações que operam em ambientes críticos. Spin-off da DINAMO Networks, referência em segurança digital e infraestrutura criptográfica, a start-up reúne diferentes modalidades de identificação, como reconhecimento de palma, rosto, íris e impressão digital, com recursos de proteção criptográfica e HSM. Sua plataforma pode ser utilizada em controle de acesso, embarque, prevenção de fraudes, pagamentos e autenticação digital, conforme as necessidades de cada operação.
Isabella Purkote isabella@ideecorporativa.com.br
