Iniciativa coordenada pelo Sistema Transporte mapeou 90 alavancas para reduzir emissões e ampliará atuação para outros setores da economia
Por Daniel Fernandes

A descarbonização do transporte brasileiro depende de soluções tecnológicas, investimentos em infraestrutura e articulação entre empresas, entidades e poder público. Para contribuir com esse processo, a Coalizão para a Descarbonização dos Transportes reuniu organizações do setor e desenvolveu um diagnóstico com 90 alavancas para a redução das emissões de gases de efeito estufa, além de estimar os impactos potenciais das medidas até 2050. A iniciativa avança agora para uma nova etapa, com foco na implementação das recomendações e na construção de soluções integradas para diferentes setores da economia. O lançamento dessa fase está previsto para novembro, durante a COP31.
Coordenada pelo Sistema Transporte, pelo CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), pela Motiva e pelo Insper, a Coalizão mobilizou mais de 120 organizações e identificou 90 alavancas para a descarbonização. O estudo Coalizão dos Transportes: como tornar o setor de transportes um contribuidor ativo para a redução das emissões brasileiras, publicado em 2025, destaca três frentes prioritárias: mudança na matriz de transportes, expansão dos biocombustíveis e eletrificação, associada a tecnologias Power-to-X.
Segundo o relatório, a implementação das medidas pode reduzir em cerca de 70% as emissões de CO2 equivalente do setor até 2050, em comparação com um cenário de inação. Entre as soluções, estão: maior participação dos modos ferroviário e aquaviário no transporte de cargas; uso de combustíveis de menor emissão; eletrificação de veículos; e desenvolvimento de alternativas energéticas para atividades de maior complexidade.
O estudo também aponta oportunidades na renovação de frotas, na melhoria da infraestrutura, na expansão do transporte coletivo e na otimização das operações. A adoção dessas medidas deve considerar a viabilidade técnica e econômica e as particularidades de cada atividade e região.
Para Vinicius Ladeira, diretor adjunto nacional do SEST SENAT e líder do projeto Transporte e a COP31, o trabalho desenvolvido pela Coalizão representa uma contribuição para transformar o diagnóstico setorial em ações concretas. “A primeira etapa da Coalizão mostrou que o setor de transportes dispõe de diferentes caminhos para avançar na descarbonização, o desafio agora é fortalecer a articulação entre os agentes envolvidos, identificar as condições necessárias para viabilizar essas soluções e transformar as recomendações em resultados, respeitando as características e as necessidades de cada segmento”, afirma Ladeira.
Nova etapa amplia a atuação
A segunda fase será desenvolvida sob a perspectiva da Coalizão Brasil pela Descarbonização, que amplia o escopo de atuação para os setores de Transporte, Agricultura, Energia e Mineração. A proposta é identificar oportunidades de colaboração entre essas áreas e estruturar soluções compartilhadas que contribuam para acelerar a implementação dos compromissos climáticos brasileiros. A nova etapa pretende dar continuidade à mobilização empresarial e institucional iniciada pela Coalizão dos Transportes.
A iniciativa pretende avançar do diagnóstico para a implementação das recomendações, com atenção às alavancas prioritárias e aos fatores que podem viabilizar sua adoção. Entre os objetivos, estão o desenvolvimento de mecanismos de governança e monitoramento dos avanços e o detalhamento de condições necessárias para ampliar a integração entre os setores.
A atuação também busca contribuir para a implementação da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira, em alinhamento ao Plano Clima, à Belém Mission 1.5°C e ao Acordo de Paris. “A próxima fase amplia a oportunidade de construir soluções que conectem diferentes setores da economia. O transporte tem uma relação direta com a energia, a produção agrícola e a mineração, por exemplo. Ao aprofundar essas conexões, podemos fortalecer a cooperação entre as organizações e criar condições para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono”, destaca Vinicius Ladeira.
Rumo à COP31
Esta reportagem integra a série Rumo à COP31, que apresenta estudos, análises e iniciativas do Sistema Transporte na preparação para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia.
Os conteúdos podem ser conferidos no hotsite Transporte e a COP31, que reúne informações, estudos e vídeos sobre a participação do Sistema Transporte na conferência. Em Antália, a participação do Sistema Transporte inclui o Pavilhão Internacional do Transporte, na Blue Zone da COP31, desenvolvido em parceria com a SLOCAT Partnership.
