Trabalho desenvolvido no curso executivo Gestão de Ativos, do ITL, integra telemetria, inteligência artificial e análise de dados para otimizar a manutenção de frotas
Por Chico Monteiro

Antecipar uma falha antes que ela leve um caminhão a uma parada não planejada pode fazer diferença nos custos de intervenções e na disponibilidade da frota. É com esse objetivo que um projeto desenvolvido por alunos do curso executivo Gestão de Ativos, do ITL, avança em sua aplicação prática na Transpanorama Transportes.
Intitulado “Otimização da disponibilidade de veículos rodoviários por meio de tecnologias ativas: Inovação na gestão de ativos”, o trabalho propõe integrar telemetria, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial e análise de dados para apoiar as decisões relacionadas à manutenção.
O projeto também está vinculado à experiência profissional de Thaís Tomazino, uma das integrantes do grupo e coordenadora de Manutenção da Transpanorama. Na empresa, ela acompanha os desafios de uma frota de grande porte, composta por mais de 2,5 mil ativos, entre caminhões e implementos. É nesse ambiente que a pesquisa acadêmica se aproxima de situações encontradas diariamente na gestão da conservação de frotas.
A solução reúne informações operacionais dos veículos, históricos de reparos, registros de falhas e indicadores de desempenho. Ao relacionar esses dados, o modelo busca reconhecer padrões e sinais que possam anteceder problemas, criando condições para que a empresa programe uma intervenção antes que uma falha se agrave.
“O grande desafio, portanto, não é necessariamente a falta de indicadores, mas a capacidade de integrá-los, interpretá-los e convertê-los em ações práticas. É nesse ponto que ferramentas de análise de dados e inteligência artificial podem contribuir, ajudando a identificar padrões que seriam difíceis de perceber apenas por meio de análises manuais”, explica Thaís.
Testes na prática
Atualmente, o projeto está na fase de testes do MVP (do inglês, minimum viable product, ou produto mínimo viável). Nesse estágio, o grupo avalia o funcionamento da solução, identifica oportunidades de melhoria e realiza os ajustes necessários para chegar à versão definitiva.
A implementação busca aproveitar, sempre que possível, a infraestrutura que a transportadora já possui. Isso significa avaliar quais informações estão disponíveis nos veículos e sistemas, onde elas estão armazenadas, sua qualidade e como podem ser relacionadas ao histórico de manutenções.
A adoção do modelo, portanto, não pressupõe a substituição dos sistemas existentes nem a instalação de novos sensores em todos os veículos. A depender das informações disponíveis e das falhas que se pretende monitorar, podem ser necessários investimentos adicionais em integração, processamento, ferramentas analíticas ou sensores.
Embora esteja em fase de testes, a solução já apresenta resultados práticos. Segundo Thaís, tem sido possível identificar antecipadamente indícios de falhas em componentes de alto custo e criticidade. Com essas informações, a gestão de reparos pode ser programada antes que o problema evolua e provoque consequências mais graves.
Na prática, essa antecipação pode contribuir para evitar danos secundários, reduzir o risco de custos mais elevados e diminuir o potencial de paradas não planejadas. O avanço representa uma mudança importante na lógica da manutenção: além de agir por tempo ou quilometragem ou depois que uma falha acontece, entram na tomada de decisão informações sobre a condição e o comportamento real dos veículos.
Apesar de o trabalho estar relacionado à realidade da Transpanorama, a proposta é desenvolver um modelo que possa ser adaptado futuramente a outras transportadoras. A aplicação dependerá das características das frotas, da infraestrutura tecnológica e das informações disponíveis em cada empresa.
Além de Thaís Tomazino, o trabalho “Otimização da disponibilidade de veículos rodoviários por meio de tecnologias ativas: inovação na gestão de ativos” foi realizado por André de Medeiros Machado, Angelo Luiz Pereira, Fernando Leandro de Oliveira, Henrique Maximo de Almeida da Silva, Osvaldo da Silva Junior, Rodilso Aparecido Pedro e Rodrigo Giuliano Ramos.
Para ler o estudo na íntegra, acesse o Repositório Digital do Transporte.
