A maior parte das companhias de transporte marítimo de contêineres poderá voltar a utilizar o Canal de Suez entre o fim do primeiro trimestre e o início do segundo trimestre de 2027. A previsão foi apresentada na quinta-feira pelo CEO da Kuehne+Nagel, Stefan Paul, que ressaltou, porém, que as incertezas geopolíticas ainda representam um fator de risco para a retomada.

Em entrevista à Reuters, Paul afirmou que existe uma intenção clara dos armadores parceiros de restabelecer as operações pelo corredor marítimo que conecta a Ásia à Europa. A declaração foi feita após a empresa suíça de logística elevar, pela terceira vez no ano, sua projeção de lucro para 2026.

Crise no Mar Vermelho desviou rotas marítimas para a África

A maioria das companhias de navegação deixou de utilizar a rota do Canal de Suez em novembro de 2023, após ataques promovidos pelos houthis, grupo rebelde do Iêmen, contra embarcações no Mar Vermelho.

Com os riscos à segurança, os navios passaram a contornar o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança, aumentando a distância percorrida entre a Ásia e a Europa, além do tempo de viagem e dos custos operacionais.

A possibilidade de normalização das rotas marítimas perdeu força novamente no início deste ano, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, ampliarem as preocupações com a estabilidade regional.

Apesar dos obstáculos, a expectativa da Kuehne+Nagel é de que a retomada ganhe força nos próximos meses, desde que as condições de segurança permitam a navegação regular.

Alta do petróleo aumenta atratividade da rota pelo Canal de Suez

Outro fator que pode favorecer o retorno das embarcações ao Canal de Suez é a elevação dos preços do petróleo. Segundo Stefan Paul, o encarecimento do combustível torna mais atraentes os trajetos mais curtos, capazes de reduzir o tempo de navegação e o consumo de energia.

O retorno à rota tradicional, entretanto, não deve provocar mudanças expressivas na demanda dos clientes por serviços de transporte, avaliou o executivo.

A principal consequência esperada está relacionada à reorganização das operações e à redução das distâncias percorridas, desde que a segurança e a previsibilidade dos trajetos sejam restabelecidas.

Retomada das rotas no Mar Vermelho deve ocorrer de forma gradual

A Maersk já voltou a operar alguns serviços selecionados pelo Canal de Suez. Ainda assim, a retomada das rotas pelo Mar Vermelho segue um ritmo cauteloso, com decisões tomadas gradualmente pelas companhias de navegação.

Analistas avaliam que esse movimento dificilmente terá impacto significativo sobre os resultados financeiros do setor em 2026. A abordagem escalonada dos armadores limita, por enquanto, os efeitos de uma eventual normalização das operações.

A previsão de retorno mais amplo no fim do primeiro trimestre ou no início do segundo trimestre de 2027 indica que o setor ainda depende da evolução do cenário geopolítico para recuperar plenamente um dos principais corredores do comércio marítimo internacional.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Mohamed Abd El Ghany

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