
Thiago Tomazzoli e Rafael Knop detalharam novo projeto no EstadoTÂNIA MEINERZ/JC

* De Osório
A estatal norueguesa Statkraft prevê investir cerca de R$ 2,5 bilhões na implantação de um novo parque eólico em Santa Vitória do Palmar, no Extremo Sul do Rio Grande do Sul. Batizado de Gran Sul, o empreendimento terá 440 megawatts (MW) de potência instalada ao término de duas etapas de construção, que devem se estender por aproximadamente três anos. Os detalhes foram apresentados nesta quarta-feira (28), durante a solenidade comemorativa dos 20 anos do Complexo Eólico de Osório.
A primeira fase, já aprovada pela companhia, concentrará R$ 1,5 bilhão em investimentos e 280 MW de potência. A previsão é iniciar a mobilização das equipes entre o fim deste ano e o começo de 2027, com o início das obras mais provável em janeiro. A segunda etapa acrescentará 160 MW, com aporte inferior a R$ 1 bilhão, ainda sujeito à aprovação da empresa. A expectativa é obter esse aval até o fim do primeiro semestre de 2027.
Segundo o presidente da Statkraft Brasil, Thiago Tomazzoli, a empresa está na fase final de negociação dos contratos de fornecimento dos aerogeradores e de execução das obras civis e eletromecânicas da primeira etapa. A assinatura é esperada para novembro. O investimento inicial será feito com recursos próprios, enquanto a estrutura de financiamento da segunda fase ainda está em avaliação.

Complexo Eólico OsórioTÂNIA MEINERZ/JC
As duas etapas devem avançar em sequência, com uma diferença de cerca de seis meses entre os cronogramas. A conclusão do conjunto está projetada para 2030, caso o planejamento se confirme.
A escolha de ampliar os investimentos na região Sul está relacionada às condições do mercado de energia. De acordo com Tomazzoli, os cortes de geração impostos às usinas renováveis, conhecidos como curtailment, têm afetado de forma mais intensa o Nordeste. Nesse cenário, o Sul apresenta maior atratividade para novos projetos, embora a companhia continue avaliando oportunidades em diferentes regiões do País.
“O Gran Sul é uma demonstração concreta de que seguimos confiantes no potencial da região e comprometidos com o desenvolvimento de uma matriz elétrica cada vez mais renovável”, afirma o presidente da Statkraft Brasil.
Leia também: Madeireira deverá dobrar produção de planta industrial em Venâncio Aires
Menos turbinas, mais energia

Thiago Tomazzoli e Rafael Knop detalharam novo projeto no Estado
TÂNIA MEINERZ/JC
O Gran Sul deverá reunir aproximadamente 55 aerogeradores: 35 na primeira fase e outros 20 na segunda, de acordo com estimativas apresentadas por Tomazzoli. Segundo o executivo, as máquinas terão potência individual superior a 7 MW, refletindo a evolução da tecnologia eólica nas últimas duas décadas.
A comparação com o Complexo Eólico de Osório ajuda a dimensionar essa mudança: inaugurado em 2006, o empreendimento que completou 20 anos neste mês de outubro tem 317,9 MW de potência instalada, distribuídos em 148 aerogeradores de 2 MW e 2,3 MW. O novo projeto, portanto, deverá ter potência instalada cerca de 38% maior, mesmo com aproximadamente 63% menos turbinas.
O vice-presidente de Assuntos Corporativos da Statkraft, Rafael Knop, destaca que o Gran Sul faz parte da ampliação da presença da companhia no Estado. A primeira etapa havia sido anunciada em julho, mas a projeção apresentada agora inclui também a segunda fase, elevando a capacidade total prevista para 440 MW.
Para o prefeito de Santa Vitória do Palmar, André Selayaran Nicoletti, a construção deverá movimentar a economia local e contribuir para melhorias de infraestrutura, especialmente nas estradas utilizadas pelo empreendimento.
“Nós enxergamos como um grande investimento, não só para Santa Vitória, mas para toda a região”, celebra. Ele ressalta, porém, que os benefícios à arrecadação municipal poderão mudar com a reforma tributária, em razão da alteração das regras de distribuição de receitas. Portanto, ainda não consegue realizar estimativas precisas sobre o impacto financeiro.
A Statkraft incorporou o Complexo Eólico de Osório ao seu portfólio em 2024, com a compra da espanhola Enerfín. Na celebração dos 20 anos do empreendimento, a companhia também informou que renovou contratos de comercialização de energia por mais 16 anos, projetando a continuidade da operação do parque até depois de 2040.
