Com custos logísticos equivalentes a 15,5% do PIB brasileiro, empresas terão de se adaptar a mudanças regulatórias, clima e gestão de pessoas

Foto: Marcus Manzano, Diretor Comercial da TruckPag. (Crédito de imagem: Mariana Gurgacz)
Os custos logísticos brasileiros chegaram a 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, ante 10,4% em 2014, segundo o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) e a Confederação Nacional do Transporte (CNT). O avanço evidencia o peso da movimentação de mercadorias sobre a economia e reforça a necessidade de rever processos que consomem recursos sem gerar ganhos proporcionais de produtividade. Em 2027, o desafio para o setor será identificar onde estão essas perdas e como reduzi-las em uma operação que depende de infraestrutura, veículos, pessoas e planejamento.
“Nem toda ineficiência logística aparece como prejuízo isolado. Viagens demoradas, retornos vazios ou manutenções não programadas têm a mesma origem: decisões que não consideram a cadeia como um todo. O desafio é identificar as causas de gestão para evitar que se repitam”, afirma Marcus Manzano, diretor comercial da TruckPag, logtech para frotas pesadas.
Diante desse cenário, Manzano elenca os cinco principais gargalos que a logística precisa resolver em 2027. Confira:
1. Adaptar a operação à reforma tributária
A partir de 2027, a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) muda a rotina fiscal das empresas. Para transportadoras, o desafio envolve adequar sistemas de emissão de documentos, revisar processos e entender os efeitos das novas regras sobre contratos, créditos tributários e fluxo de caixa. Não é apenas uma questão contábil: falhas de adaptação podem gerar retrabalho e dificultar a gestão financeira.
2. Garantir que o piso mínimo do frete seja considerado na contratação
A aplicação do piso mínimo exige atenção constante aos valores vigentes, às características da carga, à distância e à configuração dos veículos. Em 2026, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou os coeficientes em diferentes ocasiões, inclusive após a variação do preço do diesel. Para 2027, o desafio é manter contratos e as rotinas de contratação alinhados às regras aplicáveis, reduzindo riscos de irregularidades, conflitos comerciais e erros de cálculo.
3. Preparar a operação para eventos climáticos extremos
O El Niño, com previsão de persistir pelo menos até o início de 2027, coloca a gestão de riscos climáticos no radar das transportadoras. Segundo o boletim de setembro do Painel El Niño, elaborado por órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o cenário previsto inclui chuvas acima da média e risco de cheias no Sul, enquanto áreas do Centro-Norte podem enfrentar condições mais secas.
4. Atrair e reter profissionais qualificados
A escassez de motoristas e a dificuldade de manter profissionais experientes desafiam a continuidade das operações. Além de investir em recrutamento e capacitação, as transportadoras precisam olhar para as condições de trabalho, segurança nas viagens e perspectivas de carreira. A rotatividade afeta a formação das equipes, aumenta a pressão sobre os processos de contratação e pode comprometer a regularidade das entregas.
5. Passar da reação à prevenção de riscos
Acidentes, roubos e falhas mecânicas podem gerar prejuízos que vão além do reparo do veículo ou da perda da carga. O desafio é incorporar a prevenção à rotina, com checklists antes das viagens, manutenção preventiva, treinamento e avaliação dos riscos de cada operação. A gestão de seguros também merece atenção, para que as empresas compreendam as coberturas contratadas e eventuais exclusões antes de uma ocorrência, em vez de descobrir lacunas somente na hora de acionar a apólice.
“Enfrentar esses gargalos depende de uma visão integrada da logística, em que infraestrutura, pessoas, planejamento e gestão sejam tratados como partes de uma mesma operação. Significa usar melhor os recursos disponíveis, antecipar riscos e entender onde estão as oportunidades de melhoria. Esse trabalho exige disciplina na gestão e capacidade de rever processos continuamente, porque ganhos consistentes dependem de decisões bem fundamentadas”, finaliza o Diretor Comercial da TruckPag.
Sobre a TruckPag: A TruckPag é uma empresa de tecnologia criada para resolver os principais desafios financeiros e operacionais do setor de transporte de frotas pesadas. A companhia oferece um ecossistema integrado para transportadoras, que reúne gestão de abastecimento, gestão de manutenções, pagamento automático de pedágios e outras soluções que auxiliam o controle financeiro da operação, tudo conectado a uma plataforma própria. Com foco em dar mais controle, previsibilidade e visibilidade ao gestor de frota, a TruckPag transforma dados do dia a dia da operação em informações claras para tomada de decisão. Fundada em 2019, a empresa é liderada por Kassio Seefeld, que também escreve e compartilha conteúdos em seu blog. Saiba mais da TruckPag no site!
Joana Sayuri joana.sayuri@pine.br.com
