
Na última reunião de transição, o governador Eduardo Leite (PSD) pediu ao governador Eleito Luciano Zucco (PL) uma reunião específica sobre as concessões do Bloco 2Vitor Rosa/SECOM/Divulgação/JC
Marcus Meneghetti
O governador eleito Luciano Zucco (PL) deixou nesta quinta-feira (30) que não levará adiante as concessões rodoviárias encaminhadas pelo atual governo do Rio Grande do Sul. Ao ser questionado sobre o tema na coletiva de imprensa após o anúncio dos novos secretários no instituto Caldeira, Zucco disse que ainda fará uma reunião com o governador Eduardo Leite sobre o Bloco 2.
“Já deixamos claro na campanha que somos contra essas concessões que foram apresentadas. Não houve ainda esse diálogo que o governador Eduardo Leite se propôs a fazer com a transição. Ele não fez essa reunião ainda. O modelo apresentado (nos blocos 1 e 2), não vamos avançar”, garantiu Zucco na coletiva no Instituto Caldeira.
A desistência dos blocos 1 e 2 gera incertezas sobre o futuro das 15 rodovias englobadas nesses projetos. No caso do Bloco 2, há dúvidas sobre o R$ 1,5 bilhão em recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) destinados àqueles projetos.
Na última reunião da transição de governo em 22 de outubro, na qual Leite e Zucco se sentaram lado a lado no Centro Administrativo Fernando Ferrari, Leite pediu uma reunião específica sobre a modelagem do Bloco 2.
A modelagem do Bloco 2 inclui seis rodovias: ERS-128, ERS-129, ERS-130, ERS-324, RSC-453 e ERS-135. As estradas passam pelos municípios do Vale do Taquari e do Norte do Estado, como Passo Fundo, Marau e Erechim. Entre as melhorias previstas nesses trechos, estão a construção de 182 quilômetros de duplicações e 71,5 quilômetros de terceiras faixas
Segundo a gestão Leite, a previsão de investimento é de R$ 6 bilhões – dos quais R$ 1,5 bilhão seriam recursos do Funrigs. O Funrigs é um fundo criado após a enchente de 2024 para financiar obras de reconstrução e resiliência. O fundo é alimentado através da suspensão do pagamento da dívida do Estado com a União. As parcelas mensais da dívida giram em torno de R$ 300 milhões.
O aporte de recursos públicos à concessionária gerou críticas das lideranças locais, porque, mesmo com dinheiro público, as tarifas estariam elevadas. Inicialmente, a previsão era de R$ 0,19 por quilômetro rodado. Após as críticas, a tarifa caiu para R$ 0,18.
Agora, com o compromisso de Zucco em não levar adiante as concessões, os prefeitos e empresários dos municípios afetados defendem que a verba do Funrigs seja destinada à Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) ou que o Estado execute as obras diretamente.
Na reunião com Zucco no Centro Administrativo, Leite garantiu que ainda “não há definição.” “A gente interage muito com as lideranças da região. É claro que cada um tem uma solução diferente. Tem gente que defende que o Estado execute direto, tem gente que defende a EGR, tem gente que defende a concessão para a iniciativa privada. Isso vai ser tema de uma reunião específica entre as duas equipes (do atual governo e do futuro)”, projetou o atual governador.
As concessões rodoviárias no Rio Grande do Sul chegaram a ser alVo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa. Um dos resultados práticos da CPI foi o cancelamento do leilão do Bloco 2, que estava marcado para ocorrer em junho deste ano na bolsa de valores B3.
