
Usina de de etanol em Porto Xavier, no Noroeste gaúcho.Prefeitura de Porto Xavier/Divulgação/JC

A via logística do Rio Uruguai foi decisiva para que o empresário Fabiano Moreira, sócio da empresa mineira G2X Usinas, definisse a compra e a reativação de uma usina de etanol paralisada desde 2023, em Porto Xavier, no Noroeste gaúcho. A empresa investe R$ 15 milhões para retomar a produção no espaço, antes operado pela Coopercana. A perspectiva é de que esteja operando em agosto de 2027.
“Quando a empresa adquiriu a usina, o plano inicial era recuperar os equipamentos para montar uma nova unidade em Goiás. No entanto, estudos realizados em Porto Xavier apontaram vantagens logísticas no município, tanto para o escoamento da produção pelo Rio Uruguai, em uma rota que passa pelo Chile, quanto para a importação de milho do Paraguai, como já ocorre com as indústrias de proteína animal da região”, comenta o prefeito de Porto Xavier, Gilberto Menin.
A movimentação na área da usina já começou há duas semanas, com a preparação e limpeza do terreno e o início da recuperação da estrutura elétrica. A partir de outra usina no Paraná, a G2X está montando as caldeiras da futura usina gaúcha. A execução imediata do projeto tem explicação. Há um contrato já firmado com os Emirados Árabes para a negociação de 55 mil litros de álcool farmacêutico diários. A capacidade produtiva total da futura usina ainda não foi divulgada pela G2X. No seu auge, a usina chegou a produzir 8 milhões de litros em uma safra, com a Coopercana.
A partir desta negociação, o que era uma usina abandonada pode se tornar um complexo industrial no município. Além da própria usina, que produzirá álcool a partir de cana de açúcar, milho e trigo, os investidores pretendem construir ainda uma linha de produção para as embalagens e um parque gráfico para a impressão dos seus rótulos.
O planejamento dos investidores inclui ainda a produção de DDG para alimentação animal, a partir das sobras do processamento, especialmente do milho. A criação de uma fábrica de rações é projetada neste complexo.
“Já há conversas, inclusive, e estamos avaliando, para a cedência de uma área destinada a pista de pousos para pequenas aeronaves, relacionadas com a operação da usina e futuros negócios aqui em Porto Xavier”, diz o prefeito.
Fabiano Moreira é um dos investidores, por exemplo, do Alphaville, e já teria manifestado interesse em desenvolver ali, na Fronteira Noroeste, um projeto de loteamento.
Rota logística
A aposta logística da G2X coincide com o avanço, depois de muitos anos de espera, do projeto para a construção de uma ponte de 950 metros sobre o Rio Uruguai, ligando Porto Xavier a San Javier, na Argentina. Na última semana, equipes do DNIT e da empresa especializada contratada para os levantamentos do licenciamento ambiental trabalhavam entre os dois lados da fronteira. A expectativa é de que ainda neste ano seja realizada uma audiência pública na comunidade para a apresentação do projeto e, até março de 2027, a licença ambiental esteja concedida para o início das obras, estimadas em um investimento de mais de R$ 200 milhões, com recursos do PAC.
Atualmente, a rota comercial dos caminhões é feita por balsas, e representa um importante canal de produtos para a indústria gaúcha. Porto Xavier é o ponto de entrada, por exemplo, de quase 50% das importações de milho feitas pelas indústrias de processamento de suínos no polo de Santa Rosa. Diariamente, são 40 caminhões cruzando o rio embarcados. Agora, o mesmo canal deve ser usado também para exportações em maior volume.
Estímulo no campo
A estimativa é de que a usina gere 200 empregos diretos, mas o cálculo feito pela administração municipal, a partir do incentivo que a economia local ganhará com a retomada da usina, vai muito além. São estimados 2 mil novos postos de trabalho em toda a cadeia produtiva.
Conforme o IBGE, em 2025, Porto Xavier plantou 300 hectares com cana de açúcar, com uma colheita de 16,5 mil toneladas de cana. É o quarto maior produtor do Rio Grande do Sul. De acordo com o prefeito, para dar conta da demanda inicial da usina, serão precisos 2,5 mil hectares. Provavelmente haverá compra de matéria-prima de outras regiões.
“Nosso município é feito de pequenas propriedades e aquele produtor que plantava cana precisou de alternativas quando encerrou a usina, em virtude da concorrência do setor em São Paulo em 2023. Desde então, desenvolvemos um programa muito bem-sucedido de incentivo aos produtores. Hoje, a cana é uma alternativa rentável aos nossos produtores, e tende, agora, a ser uma forma de investimento para eles aumentarem a produção. Vão fornecer para a usina, que usará também o bagaço para movimentar as máquinas, e para a produção de melado”, comenta Gilberto Menin.
A partir da desativação da usina, o município passou a incentivar a produção para agroindústrias de melado, por exemplo. Para cada hectare, o produtor consegue extrair 5 mil quilos de melado, bastante valorizado no mercado. A produção é resultado direto de um programa de incentivo local, no qual produtores, apoiados pela Emater, desenvolvem projetos para irrigação, melhoramentos genéticos ou agroindústrias e, na hora de buscarem financiamento nos bancos, quem custeia os juros do financiamento é o município.
“É o nosso programa Juro Zero, que é único no Brasil. Funciona como uma parceria. A Emater desenvolve os projetos com os produtores, que passam por uma avaliação técnica da Prefeitura. Se aprovados, o município se apresenta ao banco como responsável pelo custeio dos juros do financiamento”, comenta o prefeito.
O projeto já viabilizou pelo menos R$ 7,5 milhões em financiamentos rurais no município. Nesta conta, Menin considera agora ainda o estímulo ao plantio de eucaliptos na região, para abastecer as caldeiras, além da possibilidade de avanço no plantio do milho, que tem grande potencial a partir da irrigação nessa região do Estado, e do trigo. O município distribuirá, por exemplo, mudas de eucaliptos para produtores locais.
Ficha técnica
- Investimento: R$ 15 milhões
- Público ou privado: privado
- Estágio: em execução até 2027
- Empresa: G2X
- Cidade: Porto Xavier
- Área: Indústria
