O líder do projeto Transporte na COP31, Vinicius Ladeira, apresentou no CNN Talks, as prioridades para reduzir emissões e ampliar a competitividade do setor em debate com representantes do governo e de empresas
Por Fabiana Vieira

O diretor do Sistema Transporte e líder do projeto Transporte e a COP31, Vinicius Ladeira, defendeu a ampliação do financiamento e a integração da infraestrutura para avançar na descarbonização do setor. As declarações foram feitas nesta quinta-feira (5), durante o CNN Talks A Economia da Transição — Da Agenda ao Negócio, na semana que antecede a conferência climática na Turquia.
Ladeira participou do painel A Transição na Prática, mediado pelo jornalista Márcio Gomes, com representantes do governo e setor produtivo. No debate, destacou a importância de combinar diferentes alternativas energéticas para reduzir emissões e manter a competitividade do transporte.
Entre as prioridades do Sistema Transporte estão o uso de combustíveis de menor emissão, a melhoria da infraestrutura e a integração entre os modos. Para que essas medidas avancem, a instituição defende condições que permitam aos transportadores investir. “O desafio é fazer esses investimentos acontecerem em escala, com financiamento, previsibilidade regulatória e segurança para quem investe. Não haverá descarbonização em escala sem viabilidade econômica”, destacou Ladeira.
O diretor apresentou também o trabalho da Coalizão pela Descarbonização dos Transportes, liderada pela CNT e por organizações parceiras. A iniciativa estruturou 90 ações integradas, com potencial de reduzir em até 70% as emissões do setor até 2050 e mobilizar mais de R$ 600 bilhões em investimentos verdes. As medidas envolvem modernização de frotas, energia, infraestrutura, tecnologia e produtividade.
Infraestrutura integrada
Ladeira também defendeu investimentos nas conexões entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. Para o Sistema Transporte, os modos devem funcionar de maneira complementar, aproveitando as vantagens de cada um nas diferentes operações.
A estratégia prevê ampliar a participação de ferrovias e hidrovias no transporte de cargas de 31%, em 2023, para 55% até 2050, em toneladas-quilômetro útil. Esse avanço depende de investimentos em acessos aos portos, terminais, corredores logísticos e estruturas para transferência de cargas.
O Plano CNT de Transporte e Logística 2026 aponta a necessidade de R$ 2 trilhões para investimentos em infraestrutura no país. Para a instituição, uma rede mais eficiente, integrada e resiliente exige planejamento de longo prazo, previsibilidade orçamentária com participação das iniciativas pública e privada.
Diferentes caminhos para reduzir emissões
O diretor do Sistema Transporte defendeu ainda que a transição energética contemple múltiplas soluções. As diferenças entre as operações brasileiras exigem avaliar a segurança, a disponibilidade, os custos e a capacidade de cada alternativa de reduzir emissões.
Biocombustíveis, biometano, combustível sustentável de aviação, eletrificação e hidrogênio fazem parte dessas possibilidades. A instituição defende que a diversidade energética brasileira seja aproveitada com tecnologias adequadas às necessidades de cada modo, região e atividade.
Para a diretora Jurídica e de Relações Institucionais da Ultragaz, Fabiana Molina, o biometano reúne condições favoráveis para ganhar espaço no mercado brasileiro, diante dos avanços regulatórios, dos incentivos do poder público e do interesse crescente dos consumidores.
“Quando falamos de transição energética, não falamos apenas sobre uma solução. O produto que vai ser utilizado é aquele que vai mais se adaptar àquela necessidade”, defendeu.
As discussões evidenciaram que a transição energética envolve tanto o desenvolvimento de novas tecnologias quanto a criação de condições econômicas para sua adoção.
“Existe um mito de dizer que a descarbonização precisa ir numa direção contrária à competitividade da economia. Transportes é um setor que está mobilizado em encontrar soluções na diminuição de poluentes, e isso precisa ser economicamente viável”, finalizou Vinicius Ladeira.
Participaram ainda do debate CNN Talks – A Economia da Transição, a secretária extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Cristina Reis e o diretor de Comunicação Corporativa da Cedro Mineração, Rodrigo Uchoa.
