Governo reivindica espaço na ONU
Peng Chi-ming*
O mundo em 2026 ferve. Sob o peso do calor extremo e de eventos climáticos implacáveis, a crise ambiental deixou de ser um alerta futuro para se tornar a urgência do agora. A governança global, prestes a se reunir na COP31, exige menos promessas e mais ação. Nesse cenário, Taiwan emerge como um exemplo de pragmatismo. Mesmo à margem da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), a ilha abraça o Acordo de Paris, converte metas ambiciosas em realidade e projeta suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) focando na transição verde e na resiliência até 2035.
A mudança começa com transparência e métricas. Com base em 63 indicadores rigorosos, Taiwan aprovou sua terceira fase de mitigação (2026-2030), englobando de usinas de energia a fazendas agrícolas. E os números já falam por si: em 2024, pelo terceiro ano consecutivo, as emissões caíram 6,59% em relação a 2005. O detalhe mais expressivo dessa equação? O PIB continuou crescendo. É a prova incontestável de que o desacoplamento entre progresso econômico e emissões de carbono não é utopia.
Para que essa competitividade sustentável ganhe escala, a precificação é vital. Taiwan instituiu uma taxa de carbono que, logo no primeiro ano, injetou bilhões no Fundo de Gestão de Gases de Efeito Estufa. O horizonte imediato prevê o Sistema de Comércio de Emissões (TW-ETS), um modelo tão robusto que já obteve o aval do Reino Unido para mecanismos de ajuste de fronteira. Em paralelo, a legislação passou a abraçar o ciclo de vida completo dos produtos. Hoje, um ecossistema de 69 empresas já movimenta mais de NT$ 1 trilhão em economia circular, pavimentando a rota para o “desperdício zero”.
Contudo, apenas mitigar não basta; o país precisa adaptar-se. Preparando-se para cenários sufocantes de 40°C, Taiwan cruzou dados de saúde pública, energia e proteção laboral em um plano de defesa coeso. A inovação tecnológica ganha os céus e as ruas com o Programa Nacional de Cobertura Verde: usando radares LiDAR e “gêmeos digitais” 3D, o governo mapeia ilhas de calor para plantar florestas urbanas milimetricamente calculadas. É a natureza aliada à tecnologia ESG, blindando as cidades contra o clima extremo.
Toda essa revolução, porém, perderia o sentido se deixasse as pessoas para trás. Guiada pela Lei de Resposta às Mudanças Climáticas, a transição taiwanesa garante justiça social. Ouvindo seis setores econômicos essenciais, o governo unificou estratégias. Agora, os recursos climáticos financiam a requalificação de trabalhadores para os “empregos verdes”, custeiam a descarbonização de pequenos negócios e erguem um escudo protetor sobre as populações vulneráveis.
A emergência climática exige pontes, não muros. Amparado no Artigo 6 do Acordo de Paris, Taiwan já exporta suas soluções — a exemplo da cooperação ambiental com o Paraguai, que abrange 12 planos de ação. Às vésperas da “COP do Futuro” (COP31), o país reivindica seu espaço legítimo na UNFCCC com o mais forte dos argumentos: resultados práticos. Taiwan demonstra que possui a tecnologia, a economia e a determinação necessárias para alcançar o “zero líquido”, reafirmando que o futuro do planeta depende, inevitavelmente, do esforço de todos os atores capazes de agir.
*Peng Chi-ming, Ministro do Meio Ambiente de Taiwan.
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