Nesta semana aconteceu o lançamento (relançamento) do PAC: Programa de Aceleração do Crescimento, que abrigou sob sua orientação e diretrizes, milhares de obras -especialmente de infraestrutura-, muitas das quais não foram concluídas e viraram um “passivo” para as finanças públicas que as financiavam.
Desde sempre aprendemos que a obra mais cara é aquela que não se conclui. Informações oficiais do TCU (Tribunal de Contas da União) e de outros órgãos governamentais citam 14 mil obras inacabadas, abandonadas ou “não entregues”.
Lembrar que nesse período entre o PAC1 e esta que está sendo lançado, a economia brasileira viu desaparecerem, praticamente todas as grandes construtoras existentes no País com prejuízos econômicos e com a perda da Capacidade de estruturar projetos e realizar construções, mesmo as mais complexas.
Em artigos anteriores (publicados aqui neste espaço) citamos questões relacionadas aos problemas de infraestrutura em logística e transportes (LPI World Bank) e suas nefastas consequências no custo dos produtos dificultando a competitividade na disputa dos mercados mundo afora.
Há nesse fato de “obras paradas” em tal quantidade e grau de indigência fatores objetivos como a falta ou imperfeição de projetos e brechas de legislação que tornam gestores e executores inimputáveis dos desleixos e abandonos das coisas.
Leituras sobre a construção das ferrovias brasileiras, que remontam a segunda metade do século XIX evidenciam falhas não sanadas século e meio depois.
Os desafios tecnológicos de extrema complexidade, como vencer os 850 m da Serra do Mar para tornar o Porto de Santos a melhor opção para a exportação do café combinando ferrovia e porto com eficiência comprovados em 170 anos de operações.
O novo PAC surge como alternativa de resgatar coisas deixadas no passado (ainda que recente) e de enfatizar melhoria na qualidade de gestão e execução do investimento público e privado (através de PPP’s) entre poder público e empresas e capitais privados.
O valor atribuído a esse novo PAC é expressivo (em torno de 1 trilhas de Reais) e tem a expectativa de realizar projetos de infraestrutura e de resgatar obras importantes deixadas nas iniciativas e planejamentos anteriores.
Dizem os experientes velejadores que a pior navegação se dá a o “vento de popa” que apesar de tudo é expressão utilizada para caracterizar a certeza de “coisas boas”.
Os fundamentos econômicos para que as coisas sejam bem-sucedidas existem. Lições aprendidas com êxitos e fracassos podem transformar a nossa torcida em previsão de sucesso.
Nada custa mais que obras contratadas e não entregues, que contratos não cumpridos e esperanças frustradas.
Paulo Westmann
