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O fechamento das fábricas da Ford e o Custo Brasil

O fechamento das fábricas da Ford e o Custo Brasil

Na opinião de entidades empresariais, o Custo Brasil e a falta de reformas, começando pela tributária, foram fatores que pesaram na saída da Ford do Brasil.

Entre os exemplos, o fato de que o preço de um automóvel tem 50% de tributos. Isso e mais a pandemia que fez cair as vendas, o que alertou as montadoras que enfrentavam dificuldades.Presente no País há 101 anos, a Ford tinha três plantas de fabricação de automóveis que serão fechadas: em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE).

As operações de manufatura na América do Sul ficarão na Argentina e no Uruguai, de onde virão os carros para o mercado brasileiro.A montadora prevê demitir cerca de 5 mil pessoas.

No Brasil, manterá a sede da América do Sul, o campo de testes e o centro de desenvolvimento.

A empresa já havia anunciado reestruturação na América do Sul e o marco desse plano foi o fechamento da fábrica de São Bernardo do Campo, o mais tradicional polo metalúrgico nacional.

Analistas dizem que o ambiente de negócios é um dos fatores que pesam no momento de decisão sobre onde permanecer e onde fechar. Para eles, o Brasil tem que melhorar sua competitividade, pois, além das fábricas, há uma cadeia automotiva que inclui redes de concessionárias, fornecedores de partes e peças e diversos outros serviços.

Henry Ford desenvolveu a produção em série de veículos, colocando o mundo sobre rodas e revolucionando a indústria.

Foi também um dos pioneiros a acreditar no potencial de desenvolvimento do Brasil, tornando a Ford a primeira a montar automóveis no País, em 1919, com o emblemático modelo T.

A empresa inaugurou uma fábrica na cidade de São Paulo em 1953, e o primeiro veículo Ford, o caminhão F-600, saiu da linha de montagem em agosto de 1957.

O primeiro automóvel da Ford do Brasil foi o Ford Galaxie 500, em abril de 1967, na época, o mais moderno fabricado aqui.A decisão da Ford de encerrar a produção no Brasil terá impacto financeiro de cerca de US$ 4,1 bilhões em despesas não recorrentes, conforme a montadora.

Lyle Watters, presidente da Ford na América do Sul, destacou que, após reduzir custos em todos os aspectos do negócio e encerrar produtos não lucrativos, incluindo o fim da produção de caminhões – o que gerou melhora de resultados nos últimos quatro trimestres -, o ambiente econômico desfavorável, agravado pela pandemia, deixou claro que seria necessário muito mais para dar rentabilidade à operação. É a realidade dos negócios.

Fonte: Jornal do Comércio – RS

Paulo Menzel

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