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Taxistas da Capital relatam dificuldades financeiras por conta da pandemia

Taxistas da Capital relatam dificuldades financeiras por conta da pandemia
Alguns profissionais estão tirando, no máximo, R$ 90,00 por dia

Alguns profissionais estão tirando, no máximo, R$ 90,00 por dia

/MARCO QUINTANA/JC

Yasmim Girardi

Os taxistas de Porto Alegre e da Região Metropolitana notaram uma redução significativa no número de passageiros desde o início da pandemia.

Antes, o modelo de transporte, que já não era mais tão popular por conta da criação de aplicativos como Uber, Cabify e 99Pop, por exemplo, já enfrentava dificuldades.

Alguns dos profissionais que não fazem parte de nenhum grupo de risco e continuam trabalhando apontam que suas receitas diminuíram pela metade. “Antes da pandemia, eu fazia entre R$ 200,00 e R$ 250,00 por dia. Agora, tem dias que fico das 6h às 22h trabalhando e faço R$ 80,00 ou R$ 90,00”, afirma Edson Teixeira, taxista no ponto do Hospital Nossa Senhora da Conceição, na Capital.

Segundo ele, o fluxo de passageiros diminuiu muito porque, além das recomendações para isolamento social, o hospital reduziu o número de visitas e, muitos profissionais da saúde que usam táxi, não estão trabalhando.

Assim como ele, Everton Roberto dos Santos também teve o número de passageiros reduzidos pela metade. “Mas as contas continuam chegando, tenho família e um filho de 2 anos e meio para sustentar. A situação está complicada.”

Everton não conseguiu ter o Auxílio Emergencial do Governo Federal aprovado, e Edson Teixeira ainda espera a aprovação do seu. Segundo o presidente do Sindicato de Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi), Luiz Nozari, poucos taxistas conseguiram receber os R$ 600,00 de auxílio do governo federal. “Os taxistas, mesmo um que seja auxiliar, normalmente têm declaração de imposto de renda acima de R$ 28 mil. É difícil um taxista ter a renda mensal abaixo do que é exigido pelo governo”, afirma.

Ainda assim, ele relata que dezenas de profissionais do sindicato estão com dificuldades financeiras. A Cooperativa dos Proprietários de Táxi da Região Metropolitana de Porto Alegre (Cooptaxi), há mais de 30 anos em atividade, também relata dificuldades. “A média mensal é de 100 carros, mas, com a pandemia, hoje não temos nem 30 carros trabalhando”, afirma um dos diretores, Geraldo Azevedo.

Por ser do grupo de risco, Azevedo não está trabalhando e enfrenta dificuldades, uma vez que só conta com o salário da Cooptaxi.

No início de abril, o Sintáxi enviou um ofício à prefeitura de Porto Alegre pedindo alguma espécie de auxílio para os taxistas que passam dificuldade.

O presidente relata que não houve resposta e, por isso, o sindicato uniu forças com outras instituições particulares para poder ajudar os profissionais mais necessitados com doações.

Paulo Menzel

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